Após meses de investigações incansáveis e confrontos brutais com o Cartel de Medellín, Peña encontra-se exausto, com sua mente e espírito desgastados pela violência constante. Em busca de alívio e um breve refúgio, ele encontra consolo mergulhando e...
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Você se lembra das escolhas ruins que eu citei outrora? Pois bem, elas passaram a cair no meu colo como uma maldita bomba-relógio. O telefone celular permaneceu no meu ouvido por um período longo, onde apenas o som de uma ligação finalizada ecoava ao mesmo tempo em que meu parceiro despertava. Lenta e suavemente, Murphy movera os braços e o quadril, e pelo movimento a cadeira ameaçou ir para trás.
— Que horas são? — perguntou, ainda preso na letargia do sono.
— Entraram no apartamento da Noonan — foi tudo o que disse.
Sem delongas, peguei as chaves do carro e comecei a caminhar em direção à saída sem olhar para trás. Meu coração estava acelerado e a adrenalina corria pelas veias num desconforto, e antes mesmo de eu chegar ao elevador, pude ouvir os passos largos de Murphy.
— Eu vou com você.
A estrada se estendia à nossa frente, iluminada apenas pelos faróis do carro, e a cidade, adormecida sob o manto da madrugada. Minhas mãos apertavam o volante enquanto Murphy estava ao meu lado, olhar atento e preocupado, mesmo que sua expressão ainda demonstrasse sinais claros de sono. Aquele era o tipo de chamado que não podíamos ignorar, não importava a hora. O silêncio era quase palpável no interior do carro, apenas o ronco do motor e o farfalhar do vento entrando pelas janelas abertas, o barulho típico de um isqueiro tentando funcionar.
— Espero que ela tenha ligado apenas para você.
Encarei-o, incomodado. Stephen estava coberto de razão. Há cerca de três anos, uma jornalista americana foi sequestrada por um grupo de terroristas, depois de três semanas de investigações e diversões pedidos de resgate, a polícia finalmente encontrou o esconderijo dos sequestradores, mas por terem chegado em alto e bom som, a pobre jornalista fora morta minutos depois da primeira sirene ser acionada.
A imagem Lou, assustada e vulnerável, percorreu minha mente. Havíamos nos apegado a ideia de que agentes federais estariam sempre seguros, pois ninguém seria estupido o suficiente para ir contra os Estados Unidos, mas adivinhe só? Não estávamos falando sobre qualquer narcotraficante, tratava-se do Cartel de Medellín, que anos depois, mostrou-se ainda pior do que imaginávamos.
Chegamos à porta de seu apartamento, e eu segurei minha arma com firmeza. A maior parte das pessoas deveria pensar que a embaixadora residia em um hotel luxuoso no centro, com um milhar de seguranças à sua disposição, o quarto de cobertura com vidros blindados e vinho importado. Bom, digamos que essa era exatamente a imagem que o governo gostaria que os moradores e boa parte dos policiais tivessem.
A verdade era que o real apartamento ficava há cerca de um quilômetro da embaixada, era similar ao conjunto de apartamentos que Murphy e eu ficamos — que diga-se de passagem, também foi concedido pelo governo —, só que em vez de três, eram quatro andares amplos e bem decorados, quatro agentes ficavam nos apartamentos de cima enquanto outros dois moravam junto da embaixadora e sua filha, cada um em seu respectivo quarto.