Após meses de investigações incansáveis e confrontos brutais com o Cartel de Medellín, Peña encontra-se exausto, com sua mente e espírito desgastados pela violência constante. Em busca de alívio e um breve refúgio, ele encontra consolo mergulhando e...
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— Não deveria ter envolvido você.
Louise permanecia imóvel diante de mim, como uma maldita estátua. A respiração pesada era audível o suficiente, e tinha certeza que se prestasse muita atenção, seria capaz de escutar as batidas frenéticas de seu coração. Seus olhos encontraram-se com os meus e mesmo que eu tentasse ler sua linguagem corporal, não fui capaz de obter nada relevante. Eu queria entender o que se passava na mente dela, como porra ela achara que se envolver com um sicário seria uma boa alternativa, mas ali estávamos nós, presos em um impasse silencioso.
E então, sem aviso prévio, ela quebrou o contato visual, como se o próprio olhar pudesse condená-la de alguma forma, e de fato poderia. Rapidamente, antes que eu pudesse entender seus movimentos, a vi caminhar apressada em direção à porta. Meus passos alcançaram os dela justamente antes que ela pudesse agarrar a maçaneta. Meus dedos pressionaram de leve contra a porta, criando uma barreira.
Agora, ali estávamos, tão próximos que podíamos sentir o calor um do outro. Seus olhos, repletos de tumulto, encontraram os meus novamente.
— Me deixe passar.
Nossas respirações pareciam sincronizadas, e por estar prensada na parede, Lou soava como uma presa indefesa.
— Não — retruquei, a voz extrapolando os limites entre o que era rude e preocupante — Não vou deixar que deportem você.
— Por que se importa tanto? Pode encontrar outro informante com a persuasão do seu pau.
Apoiei uma das mãos sobre a porta, e com o corpo inclinado, fodidamente próximo ao dela, eu suspirei.
— Eu tenho uma política muito rígida acerca dos meus informantes, Noonan. Se conseguirmos provar que você é minha informante, talvez tenhamos uma chance.
— Eu não quero que prejudiquem você, Javi — murmurou, e sua destra foi de encontro ao meu maxilar num gesto urgente de demonstração de afeto. O que por sinal, ela fazia muito bem.
A diaba escolhia os momentos certos para chamar-me pelo apelido, pois entendia perfeitamente o efeito que tinha sobre mim. Filha da puta.
— É assim que você fala com La Quica? — sugeri, arqueando a sobrancelha.
Sua mão afastou-se às pressas e mais uma vez ela se viu encurralada. Estava nesse jogo há oito meses, e por mais que nosso sexo fosse delicioso, Louise Noonan apenas o usava para dois fins: diversão e vantagem. A expressão doce, os lábios carnudos fazendo biquinho quando queria algo, os malditos olhos castanhos e luminosos que pareciam sempre enxergar através de mim, o maldito afago após uma foda. Tudo bem, nesse ponto, posso dizer-lhe que estava puto da cara em saber que ela estava transando com outras pessoas e talvez isso tenha moldado a forma com que eu prossegui.
— Você nunca soube de nada, estávamos apenas nos divertindo — ela começou a dizer lenta e suavemente, e como eu já esperava, ela carregou o sotaque, outra maldita artimanha — e você ficou surpreso em saber que eu estava frequentando as comunas, Murphy estava de testemunha no dia.