Segurei o braço de meu Dono enquanto caminhávamos pelo calçadão em direção ao nosso hotel, ele estava calado, suas mãos nos bolsos de sua calça, eu tinha a exata noção de que ele não estava nada satisfeito, então resolvi puxar o assunto, aprendi a não deixar que as coisas mal resolvidas se avolumem.
- Dono está calado desde que saímos do apartamento. Sei que deve estar chateado, assim como eu estou.
- Estou mesmo Henriqueta, até agora a nossa estada aqui no Rio de Janeiro tem sido uma frustração, em tão poucos dias aqui e vários e vários acontecimentos surgem para atrapalhar qualquer planejamento, mas quem sabe amanhã teremos um dia melhor.
- Dono, amanhã pela manhã eu preciso ir à universidade, Dono lembra que agendei com o professor Lobstein e inclusive que eu almoçaria com ele para falarmos da minha participação no congresso e a questão de talvez ter uma mesa de debates?
- É verdade, é verdade. Já havia me esquecido disso, mas fazer o que. Agendas são agendas e amanhã estás com o dia praticamente todo tomado.
Percebi que seu tom de voz foi de desapontamento. Mas eu não tenho o que possa fazer, não posso desmarcar, afinal a minha vinda está, praticamente, toda relacionada a esse evento.
- Dono poderia ir comigo, reencontrá-lo, podemos almoçar juntos, Dono escolhe o que vou beber.
Tentei aliviar um pouco toda a frustação que estava nos envolvendo, mas naquele instante eu não consegui.
- Prefiro não ir, acho que quero ir dar uma boa caminhada logo cedo pela manhã e depois fico na praia, parece que o mar vai estar bom.
Senti um aperto em meu coração, claro que me preocupo com o meu Dono, não uma preocupação dele estar sozinho na praia, de algum ciúmes, claro que tenho ciúmes dele, mas não um ciúmes doentio em que eu me preocuparia que outras mulheres olhassem para ele, ainda mais que nesses anos todos de nossa relação Dono nunca quebrou o nosso acordo a nossa negociação. Mas a minha preocupação é por conta dele ser mais afoito em alguns momentos, Dono compete muito com ele mesmo, está sempre buscando superar seus limites, sei dos perigos do nosso mar, cansei de ver e ouvir notícias de banhistas sendo resgatados pelo Salvamar, e tragicamente alguns já mortos ou praticamente.
Busquei afastar estes pensamentos de minha cabeça, mas não sei se isso não foi pior, pois passei a pensar que talvez o fato dele estar chateado seja comigo. Sim comigo, pois ele planejou uma noite para nós, me fez sair usando o plug e eu acabei insistindo na questão de irmos para o apartamento, mesmo eu já sabendo que ele não quis ir para lá quando chegamos ao Rio, mas eu queria reviver o meu primeiro momento ali com ele, mas o que acabou acontecendo foi um grande susto e que cortou todo o nosso tesão.
- Tá meu Dono, mas posso pedir uma coisa ao meu Dono?
- Hummmmm, vejamos, o quê minha menina está querendo me pedir?
- Para que o Dono tenha cuidado com o mar, Dono sabe o quanto fico preocupada.
- Não se preocupe com isso minha menina, sabes bem que tomo cuidado.
- Eu sei Dono e também sei o quanto o Dono compete com ele mesmo e pode querer descer uma onda a mais, não posso nem pensar...
Ele não me deixou terminar.
- Não pense Queta de Hunter, não pense nisso, eu sei como você é e sei que vai ficar com isso na cabeça o tempo todo.
Não respondi nada a ele, não poderia dizer a ele que eu não pensaria, pois eu estaria mentindo. Então resolvi perguntar.
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H&H - S
Ficción GeneralA continuação da historia de Hugo e Henriqueta após cinco anos. O nascimento de sua filha, o desenvolvimento profissional de Henriqueta, o seu grande reconhecimento no meio acadêmico. Cada vez mais Hugo e Henriqueta estão envolvidos no estilo de vid...
