Chamo-me Cíntia Almeida, ou me chamava, agora sou Açucena Carvalho. Forçada a me casar com um velho asqueroso, amigo do meu pai, decidi fugir para bem longe. Acabei em uma pequena cidade chamada Pendleton, encontrei lá a minha paz. Mas, essa paz não...
— Açucena. Açucena Carvalho. Você é Açucena Carvalho. Cíntia Almeida morreu, está enterrada sob o chão quente em algum lugar de Nova Iorque. Você não é mais Cíntia Almeida. Você é Açucena Carvalho. Ugh...isso é para o meu próprio bem.
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Açucena Carvalho ( Cíntia Almeida ), 25 anos. Professora do Ensino Fundamental 01.
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Eu fechei os meus olhos e me inclinei na cadeira, esperando a minha aula começar. Meu velho eu, Cíntia Almeida, queria ser uma terapeuta familiar, principalmente porque ela queria consertar a sua própria família disfuncional. Eu comecei a ir para a faculdade mas importante de Nova Iorque, quando... quando ELE aconteceu. Ele, o diabo encarnado.
TRÊS ANOS ATRÁS... . . .
Eu estava na biblioteca, procurando desesperadamente o meu livro.
— Dean, onde está o meu livro? Dean! Você roubou o meu livro de novo?! Quer saber? Tanto faz, Dean, eu não preciso dele. Só se certifique de devolver ele intacto quando você acabar.
Meu irmão, um brincalhão, que sempre pega as minhas coisas só para me irritar. De repente, eu escuto passos se aproximando e uma risadinha atrás de mim.
—Aí está você, seu ladrão!
Eu me virei e quase esbarrei em...
Carlos: Olá, linda!
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Carlos Nogueira, 51 anos. Procurador.
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Carlos, amigo de meu pai, ou pelo menos era o que eu pensava. Um Procurador podre de rico, que sempre estava envolvido em coisas suspeitas.
Carlos: Como está o meu raio de sol hoje?
Mesmo eu sendo uma boa garota, que sempre respeitou os mais velhos, algo em mim surtou quando escutei ele me chamando por um dos apelidos nojentos que ele me deu ao longo dos anos.
— Com todo o respeito, senhor Carlos, não sou o seu raio de sol! Por favor, não me chame mais assim.
Carlos: Por favor, docinho, nós já tivemos essa conversa. Só Carlos, senhor faz eu me sentir mais velho.
— ( Você é um velho! ) Desculpa... Carlos... você veio ver o meu pai?
Carlos: Dentre outras coisas...
Ele me olhou e seus olhos pararam nos meus seios. Eu juro que vi ele lamber os lábios.
Carlos: Eu já te disse o quão bonita você é, mocinha? Você é dez de dez.
— Não precisa.
Carlos: Não precisa do quê, doçura?
Percebi que deveria ter pensado antes de abrir a minha boca, eu só olhei para o chão.
Carlos: Linda, eu ficaria feliz de ficar aqui e conversar mais com você, mas tenho uma conversa muito importante para ter com o seu pai. Você e eu temos muito tempo pra conversar, de qualquer jeito.
Naquele momento, eu não tinha ideia do que Carlos queria dizer. Até onde eu podia lembrar, ele sempre estava presente. Sempre. Carlos estava presente nos nossos aniversários, reuniões, festas, passeios, aniversários de casamento. Uma vez ele até me levou para uma dança de pai e filha, já que o meu pai estava sempre ocupado. Um mal onipresente, como eu aprenderia depois e Carlos sempre tinha um nome bonitinho pra mim, só pra mim.
— Carlos, o papai sabe que você está aqui?
Carlos: Sim, minha rosa. Ele está me esperando no escritório.
— Bem, você sabe onde é.
Carlos: Eu te chamaria para se juntar a nós, mas você sabe... conversa chata de homem.
Carlos mandou um beijo pra mim e se virou para ir embora. Eu fiquei parada e contemplei por alguns segundos o que fazer em seguida. As visitas dele sempre me desestabilizam. E Carlos vinha muito à nossa casa.
— Argh, aquele cara é tão desprezível e irritante.
Esqueci completamente do meu livro. Com raiva nos olhos e uma sensação estranha no peito, eu fui descansar no meu quarto. No caminho para lá, passei pelo escritório do meu pai. A porta estava entreaberta, e eu ouvi um barulho vindo de dentro.
Pai: Eu sei que isso é bom para a Cíntia... mas eu me sinto horrível.
Carlos: Um trato é um trato, amigo. Não tem outra alternativa, você me prometeu isso muito tempo atrás. Sabe que eu posso fazer você ir para o buraco num piscar de olhos.
Pai: Eu sei, Carlos, eu sei... só espero que não seja um erro. Só quero o melhor para ela.
— ( Ah, meu Deus, eles estão falando de mim! )
Num segundo, decidi empurrar a porta do escritório e entrar. Afinal, eles estavam falando sobre mim, e eu tinha o direito de saber. O olhar de choque deles me avisou que não era para eu estar alí.
— Vocês estavam falando sobre mim! Eu quero saber o porquê!