Resgate Capítulo 19

15 3 0
                                        

Autora:Lucia Helena.

Capítulo revisado.

Rodrigo

Acho que ainda não me apresentei direito, né?

Bom, meu nome vocês já sabem… e também que eu namoro a ruiva. Diferente do nosso quarteto, eu não tenho laços de sangue com ninguém, mas sou amigo de todos. Na equipe, sou conhecido como o "homem invisível". E por quê? Porque consigo me infiltrar em qualquer lugar, passar despercebido como uma sombra. Por isso vivo "fora do radar". Nem a tal da Loren me conhece. E olha que fui eu quem levou o Xande e o Paulo naquela casa de swing, viu? Ah, e sou também o agente das entradas “surpresas”. Ajo na retaguarda. Sempre.

Estava entrando no meu prédio, pronto pra relaxar, quando uma cena me fez travar:

— Bom dia... Qual é o andar do Alexandre Rodrigues, por favor?

Como assim?

Sabia que o Xande e o Paulo não estavam em casa, então fiquei em alerta. Me aproximei discretamente, modo invisível ativado, e comecei a filmar.

Sim, sou vizinho deles. Nosso prédio é daqueles antigos, com poucos andares, só seis no total. Aí vem o porteiro, sem nem disfarçar que está vidrado no decote da moça, e responde:

— É o último andar, apartamento 607.

Pode isso? O cara entrega a informação como se estivesse falando do tempo!

Ela segue pro elevador e, mesmo o porteiro avisando que ele não está, a porta se fecha. Corro pra escada. O que essa mulher tá fazendo aqui? Tem cheiro de merda no ar.

Chego no sexto andar e... bingo. A mulher pega uma chave embaixo do tapete.

Não é possível. Isso só nós cinco sabíamos! Ou pelo menos, achávamos que sabíamos.

Ela entra, deixando a porta encostada. Entro atrás, pé ante pé, e ouço a conversa:

— Eu entrei, Loren.

Merda. Loren. Sempre ela.

— Ótimo. Agora coloca os alucinógenos em todas as bebidas. Sem erros. Você sabe que estou com algo seu.

A garota desliga. Puxo a arma. Calma, não machuco mulher. Mas a situação exige medidas drásticas.

Encosto a arma na cabeça dela, firme, sem tremer:

— Nada de gracinha! Fala logo o que tá fazendo aqui. Sem mentiras, ou eu atiro — minto, mas ela não sabe disso.

Ela se vira, olhos arregalados, e começa a chorar:

— Moço... por favor... não me machuca. Eu fui obrigada. Ela tá com a minha filha...

Me entrega o celular desbloqueado. Foto da moça com uma menininha no colo. De novo isso. Criança no meio.

— Começa a falar. Agora.

— Ela me obrigou. Disse que se eu não viesse, eles machucariam minha filha. A minha filha é doente, moço. Toma remédios caríssimos. Eu só quero minha filha de volta...

Merda. Merda. Merda.

Faço ela sentar. Ainda sem tirar os olhos dela, ligo pro Paulo em vídeo:

— Temos um problema.

Viro a câmera e mostro a garota.

— O que essa garota tá fazendo aí? — pergunta Lucas.

Paulo, já ligando os pontos, franze a testa:

ResgateOnde histórias criam vida. Descubra agora