Cap 12 - Não caio em cilada assim de novo!

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A Laura, que estava se achando porque tinha duas paqueras ao mesmo tempo, agora estava fechada para balanço. Junho chegou com chuva, o que combinava bastante com a vibe dela. Não conseguia caminhar de manhã nem fazer as aulas na praia, o que derrubou seu ânimo também. Foram 10 dias de chuvas quase ininterruptas. Definitivamente, cariocas não gostavam de dias nublados, e o clima na cidade em geral era deprê. Pelo menos, era o que parecia para ela...

Mas, tudo o que é ruim acaba acabando, e a temporada de festas juninas chegou trazendo o sol. Ela adorava as comidas típicas, adorava dançar forró e até quadrilha. Quando os filhos eram pequenos, uma das (poucas) viagens que faziam nas férias de julho era até um hotel fazenda, para curtir uma festa julina raiz. Mas hoje, em alguns locais no Rio, não passavam de megafestas tipo balada, que de junina pouco tinham. Mas ela e as amigas ainda conseguiam achar algumas preciosidades...

O primeiro santo, o Antônio, era celebrado no dia 13. Sílvia arranjou uma festa em Santa Teresa com direito a correio do amor para o santo. E escreveu um bilhete em nome dela e outro em nome de Laura, que reclamou quando leu:

- Ei, para com isso! Não estou encalhada! Eu não quero é encrenca na minha vida agora.

- Ah, para de show! Só porque já trepou uma vez não quer dizer que não precise trepar mais! Deixa o santo ajudar, é o trabalho dele!

- Coitado dele, que trabalho mais ingrato! – riram e curtiram a festa, bebendo quentão e ficando perto da fogueirinha, porque a noite estava fria.

- Você tem que entrar no Tinder, já disse. Lá você pode deixar bem claro o que você quer, o algoritmo separa direitinho o perfil de cara que você deseja conhecer.

- Sílvia, esse Tinder não funcionou pra você. Por que diabos funcionaria para mim?

- Ué, quem disse que não funcionou? Trepei moooooinnto. Pra mim, deu. O Tinder é tipo um mercado de carne, não é pra achar príncipe encantado, é pra se divertir com os sapos simpáticos mesmo...

Então, no dia seguinte, Sílvia foi almoçar na casa de Laura só para criarem o perfil dela no Tinder. Depois de baixar o aplicativo no celular dela, Sílvia foi orientando:

- Preenche o seu perfil aí... nome, idade...

- Idade?

- É, o Tinder filtra os perfis pela idade... coloca escolaridade, trabalho etc... e aí escreve alguma coisa sobre você.

- Tipo "procura-se um amor que goste de cachorros?"

- É, tipo isso, claro... mas não é só isso, criatura, se descreve, fala do que você curte, pro outro saber mais sobre você. Dá até pra colocar uma música que você gosta muito. Pode também escolher a distância geográfica que você quer.

- Como assim?

- Você quer alguém quem more em Santa Cruz, ou na Baixada? Acho que não, né... ainda mais que agora você não tem mais carro. Então, você escolhe caras que estejam a até 20 quilômetros daqui, tipo até a Barra.

- Não, muito longe ainda pro meu gosto.

- Bom, quanto menor a distância, menos candidatos... Quer 15 km, então? Tipo até São Conrado?

- É, algo assim...

- E tem também que colocar umas fotos suas. Aquela do SUP vai entrar, claro...

- Ah, não, Sílvia, eu estou de biquíni, vai!

- Então a gente edita, dãããã, mas vai entrar, sim, você está plena naquela foto!

Ficaram rindo e demoraram uma eternidade para escolher as fotos. Finalmente, perfil pronto, era hora de começar o desfile de candidatos...

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