-Hey…- A voz fina de Elize tirou Soraya de seus devaneios.- Posso me sentar?- A garota perguntou gentilmente e Soraya assentiu.
-Obrigada por ont....
-Shiiiiu- Elize sussurrou, olhando em volta - Não cite jamais nunca em hipótese alguma, que fui eu que comecei com aquilo
-Tudo bem, mas... obrigada.- Soraya disse gentilmente e Elize assentiu sorrindo..
-Como você está?- Ela perguntou apontando para o curativo na testa da loira e a mais nova iria responder, mas viu o momento onde Simone passou com sua bandeja de comida nas mãos e desacelerou o passo, como quisesse saber daquela informação.
Soraya se calou, esperando ela passar e se surpreendeu quando a garota se sentou na mesa ao lado da dela. Seus olhos castanhos se encontraram com os castanhos da morena e nenhuma das duas se atreveu a desviar o olhar, até Elize rir baixinho, soltando uma espécie de ronco junto, o que chamou a atenção de Soraya.
-Estou bem, doeu para o Inferno ontem, mas já estou melhor.- Soraya disse e Elize assentiu.
- Esta noite ela sai da detenção, o que fará? Aquela barulheira da noite passada não poderá se repetir, seria suspeito. - Elize disse apenada e Soraya sorriu-lhe fraco.
-Não sei, na verdade. Ter o outro lado da testa estourado até eu desacordar?- Brincou sorrindo fraco.
- Não diga isso. - Elize disse tristemente e Soraya suspirou.
- Se for para ser violentada eu prefiro que eu esteja desacordada do que ter a repugnante imagem daquela mulher em cima de mim. -A alemã disse firmemente. - Não vou deixar que ela toque em mim.
-Ah, eu vou gritar, mas você não toca em mim. - A voz de Scarlett assustou Soraya, fazendo menção ao que a loira disse na noite passada. A garota jogou sua bandeja sobre a mesa e sorriu.
- Caramba, mulher. Eu virei a sua fã. Ninguém nunca desafiou Michelle antes.
-Obrigada, huh, eu acho. - Soraya disse confusa.
- Não fomos apresentadas, sou a Scar e você é a minha mais nova amiga. Você não tem opção, se não aceitar eu esmago seu crânio. - Disse, fazendo Soraya arregalar os olhos. A risada alta e escandalosa de Scar chamou a atenção de várias pessoas. - Eu estou só brincando.
-Oh.- Soraya disse ainda em estado de choque. - Eu me chamo Soraya. - Ela disse, mas a figura de uma mulher loira, com o maior dos sorrisos estampado em seu rosto, chamou a atenção de Soraya.
Unicamente porque ela sorria para Simone. Será que....
- Você se deu mal pegando a mesma cela que ela. Aquela mulher é perigosa.- Soraya suspirou, vendo Simone se levantar com a mulher e saírem.
- Eu percebi.
-Nem a Tebet enfrenta ela, elas se evitam. - Scar disse, começando a comer sua maçā. - Todos sabem que a Tebet ganharia ali, inclusive ambas, mas elas não se bicam, é como se fugissem de confusão. - Soraya estranhou aquilo.
-Elas... costumam travar guerras inesquecíveis de olhares, hm? Para mostrar quem manda. - Soraya disse e Elize riu baixinho, soltando outro ronco.
- Não. Elas sequer se olham, nenhuma invade o território da outra. - Simone praticamente expulsará Michelle com o olhar no dia anterior no banheiro, pensou Soraya ainda mais confusa.
Passaram o restante do tempo conversando e definitivamente Elize tinha razão, Scar era um amor de pessoa.
Mais tarde naquele mesmo dia, Soraya se dirigia até o pátio no intervalo para tomarem sol, porém sentiu seu corpo sendo puxado para trás e alguém tampar sua boca. Sua primeira reação foi se espernear, mas foi em vão.
- Calma aí que ninguém quer te machucar, é só uma conversa. - Soraya ouviu alguém dizer, no entanto não conhecia aquela voz.
Deixou-se ser arrastada até o corredor das celas quando viu que não tinha mais forças para lutar. Quando seu corpo foi jogado dentro de uma das celas, seus olhos se arregalaram de surpresa. Simone Tebet estava deitada na cama de cima a olhando intensamente.
-Ela é pequena, mas tem força. - A loira, que agora Soraya podia identificar ser a garota que sentará com Simone no horário da refeição, disse.
- Deixe-nos a sós, Janja. - Simone disse e a loira assentiu, saindo da cela e ficando de vigia do lado de fora da mesma para ninguém incomodar, enquanto segurava a ponta do lençol que tampava a visão para dentro daquela cela.
-O que... o que quer? - Soraya perguntou. A verdade era que ela se atrevia a encarar Simone enquanto estava longe, mas perto daquele jeito sentia-se intimidada.
Aquele castanho quase preto perfurante a desconcertou completamente. Será que era por ela encarar que estava ali? Deveria ter ouvido a policial Franco quando teve a chance.
- Você val dizer a todos desse maldito lugar que você está comigo, que agora é minha mulher. Entendido? - A voz rouca soou firme, causando involuntariamente arrepios no corpo de Soraya.
- Não sou sua mulher. Apanhei ontem de outra pessoa por ter esse mesmo pensamento e você pode mandar sua capacho entrar aqui agora mesmo e me arrebentar, mas você não vai tocar em mim.- Disse firmemente, nem sabendo de onde havia saído tanta coragem. Seu coração batia descompassado em seu peito, claro, acabara de se opor a algo que a pessoa que julga ser a líder absoluta de tudo pediu.
Ela, certamente, não duraria até o fim dos seis meses. Seus pensamentos foram cortados quando ela viu a figura em sua frente pular da cama de cima no chão e se aproximar dela, que, sem perceber, deu dois passos para trás. Suas costas tocaram a parede e seus olhos fitaram a garota em sua frente, a centímetros de distância dela agora. Prendeu a respiração ante aquela aproximação.
-Eu acho que eu não fui clara o suficiente. Você vai dizer a todos, Inclusive às suas amiguinhas, que agora é minha mulher.- Falou roucamente. - E em mulher de Simone Tebet, ninguém, preste atenção, ninguém toca. - Soraya piscou confusa quando a outra se afastou.
- Você não vai tentar nad....
- Já pode dar o fora. - Simone disse friamente e Soraya franziu o cenho. Tebet disse que era para ela dizer…
Espere! Estaria, Simone Tebet, oferecendo proteção gratuita? Não teve tempo de perguntar, porque o toque para o banho soou, fazendo-a sair dali com um enorme ponto de interrogação em sua cabeça.
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𝙈𝙮 𝘿𝙚𝙨𝙩𝙞𝙣𝙮 | 𝑺𝒊𝒎𝒐𝒓𝒂𝒚𝒂
FanfictionO que você faria se, por um golpe do destino, você fosse presa mesmo sendo inocente? Soraya Thronicke não se assustou tanto quando foi mandada ao julgamento, afinal sua família tinha a conta bancária transbordando dinheiro o suficiente para pagar o...
