Capítulo 8

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São cinco da manhã
Eu fui feito pra você, não podemos negar
Me encontre lá, onde nunca fecha
Me encontre lá, onde nunca e impossível

Honey (Are U Coming ?) - Måneskin

Scarlett Leblanc

Olho as horas pela vigésima vez e batuco os dedos na mesa do campus, ansiosa. Já fazia um bom tempo desde que Nabi foi ao encontro de Klaus.

Nesse meio tempo, todas as opções mais bizarras já passaram pela minha cabeça. Entre elas, a mais provável é que, neste exato momento, Klaus esteja convencendo Nabi a uma vingança. Mas, pensando bem, ele não precisa de ajuda para se vingar.

Quando pedi para ela ir ver ele, não era para fazê-lo acreditar na pessoa que sou agora, ou ao menos tocar nesse assunto, porque a última coisa de que preciso é que ele descubra que somos amigas — ou pior, que Nabi saiba o que fiz.

Sei que Oxford não é tão grande assim. Cedo ou tarde, nossos caminhos vão se cruzar de novo. É inevitável. Mas, por enquanto, prefiro que ele veja Nabi, sem mim por perto. Melhor assim. Melhor que ele não nos veja juntas.

Posso apostar que a reação dele não seria das melhores. Não posso evitar essa colisão para sempre, mas, por ora, posso adiar.

E quando digo adiar, quero dizer até o momento em que eu me formar e voltar para Nova York.

Então, basicamente, só preciso fugir de Klaus pelos próximos quatro anos.

Finalmente vejo Nabi vindo em minha direção. Levanto-me depressa e caminho rápido até ela. Cada passo acelera quando percebo seu olhar perdido e assustado. Suas pernas tremem igual uma vara de bambu.

Eu sabia que isso não ia dar certo.

Antes que eu possa alcança-lá, uma garota loira atravessa meu caminho, segurando seu braço com firmeza, impedindo-a de continuar.

— O que você pensa que está fazendo, japonesa? — O tom ácido e provocativo escorre dos seus lábios pintados de vermelho.

— Do que você tá falando? — Nabi pisca, claramente confusa.

— Você acha que eu não vi? Você tava saindo com meu namorado. — Ela praticamente grita, a voz ecoando pelo campus. Aposto que até o diretor, do outro lado da universidade, pode ouvir.

— Eu não sei do que você está falando — Nabi solta o braço e tenta seguir, mas a outra a acompanha de perto, como um predador farejando sangue.

Ao perceber que estou parada, saio do transe, aproximando-me de Nabi e a garota que a persegue.

Ótimo. É a versão de liquidação da Regina George.

Eu prefiro acreditar que Klaus não está doido o bastante para o que Emma está falando ser verdade. Seria bizarro. Ela é praticamente uma versão pirata da Scarlett LeBlanc de alguns anos atrás. Óbvio que menos bonita, menos inteligente e muito menos perigosa.

Emma estreita os olhos ao me ver, mas finge que não estou ali, como se eu fosse apenas um chiclete que gruda em seus saltos.

— Se afasta dele — avisa, irritada, esbarrando o ombro no de Nabi ao passar.

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