Capítulo 13

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Uma multidão ardente de anjos silenciados
Dando amor e recebendo nada de volta
Oh, pessoas ajudam as pessoas

People Help The People

Scarlett Leblanc


A expressão calma como de costume me ouvia atentamente contar sobre meu encontro com Jeremiah, não o encontro em sim. Afinal, tudo o que eu falava desde que cheguei não era sobre ele.

— Ele disse que eu tinha Herpes — gritei meu corpo salta do estofado igual a minha voz. — Herpes, Nabi.

Ela não responde, nem demostrar reação, mas ainda consigo ver um sorriso que insiste em aparecer, mas ela segura.

— Pelo visto ele conseguiu acabar com seu encontro — debochou, sugando o milshake com um barulho irritante. — O que Klaus fazia em um parque? Não parece ser o tipo de lugar que ele frequenta.

Encontrei meu milshake de chocolate sobre a mesa, puxei o líquido pelo canudo, sentindo o gosto gelado e doce passar pela minha garganta.

— Ele estava com uma garota — soltei de uma vez, vendo Nabi franzi o cenho.

— Ele namora? — perguntou, boquiaberta. — Isso sim é uma surpresa.

— Era uma criança — murmurrei, ainda com aquele rostinho tão gravado em minha mente. — Eu a encontrei no banheiro do parque, ela... Estava olhando pra mim com tanto amor que acho que ninguém nunca me olhou antes — disse rápido, confusa. — Ela era tão linda, Nabi — sorri, e Nabi sorriu comigo. — Com grandes olhos cor de chocolate e cabelos pretos, vestia um vestido azul parecido com que eu usava quando criança, então ela pediu pra mim amarrar o laço.

Faço uma pausa breve, mordendo o lábio inferior.

— Aí eu perguntei sobre sua mãe e ela não me respondeu... Mas disse que me levaria até seu pai e quando eu cheguei lá era Klaus que estava.

O milshake cai na mesa em um bate seco, Nabi arregalou os olhos, abrindo os lábios em choque.

— Klaus é pai?

Afundo minha mão no rosto, percebendo que não estava conseguindo nem mesmo manter uma conversa normal após a noite anterior.

— Não... Quer, acho que não. Ela depois o chamou de titio, e tudo ficou mais confuso — comecei a gesticular com as mãos.

— Klaus não tem irmãos — Nabi interferiu.

— Eu sei — sussurrei. — A garotinha, na verdade mora em um orfanato onde ele é voluntário — disse baixo, sentindo o peso do olhar a minha frente. — Talvez, ela já o considere como pai, por isso me disse no banheiro — murmurei, pensativa. — Só nunca falou a ele.

A mesa fica em silêncio. Nabi apenas acena, balançando o canudo de um lado para o outro.

— Como ela se chamava?

— Hope.

— Hope — seus lábios se movimentam, testando o som. — É um bom nome.

Aceno, sorrindo de canto.

— Você tinha que ter visto como ele é com ela — respirei, tomando ar para continuar. — Ele é paciente, amoroso... É como se Hope tivesse um lado dele que ninguém nunca terá.

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