E a emoção da perseguição segue de maneiras misteriosas
R U Mine — Arctic Monkeys
Klaus Altman
Sinto o estalo dos ossos sob meus punhos.
O som ressoa em meus ouvidos como uma melodia familiar, brutal, mas reconfortante. O sangue respinga no chão rachado, misturando-se à sujeira e ao cheiro de ferrugem. Não há qualquer sinal que o adversário, caído ali, iria se levantar.
Mas vai sobreviver. Acho que é o bastante.
Olhando aquele corpo. Eu gosto de pensar que não era para eu estar aqui agora. Gosto de pensar que em alguma linha do tempo, eu estou em outro lugar. Nesse lugar, eu me agarro a seu corpo olhando em seus olhos cinzas, ele beija minha testa, dando instruções de como colocar aquela aeronave no céu, nessa linha do tempo, tudo tem cheiro de gasolina e bolo de red Velvet, porque ela sempre estaria esperando a gente com aquele bolo vermelho. Nessa linha do tempo, eu uso roupa leves e claras, eu não conheço cigarro ou o gosto da bebida, nem de nada que me torne um viciado — ou algo perto disso. Mas tem algo que eu conheço que é quase um vício. O amor. Eu olho em seus olhos, sinto seu toque, ouço meu nome em seus lábios, acredito que ela é tudo que o garotinho de olhos cinzas sonhou um dia. Ela me olha de volta, sorri com toda a doçura que eu vi nela desde a primeira vez.
Então eu acordo. É só um sonho.
— Para sempre o melhor.
A voz rouca e desgastada chega antes dele. Sempre assim. O cheiro de cigarro barato e couro velho está impregnado. Lobo surge da sombra do beco, envolto no casaco de lã surrado, que parece tão antigo quanto ele. Ainda me impressiona o fato dessa roupas não sair correndo do seu corpo. Seus olhos pequenos e astutos brilham à luz do poste quebrado, analisando cada detalhe da cena igual a um comerciante avaliando sua mercadoria.
— O melhor que já tive — continua. — Não me arrependo de ter apostado em você.
Ele sorri de lado, um sorriso que nunca chega aos olhos vazios e sem vida. Suas mãos ásperas e manchadas de nicotina estendem um envelope de dinheiro. Pesado. Mais pesado do que o normal. Assim que pego o envelope, a pele fria das notas desliza pelos meus dedos ensanguentados. A sensação faz cada gota derramada vale à pena.
— Você era só um moleque perdido quando apareceu. Eu te dei um lugar. Eu te dei um nome.
Lobo se aproxima, inclinando-se para se certificar que o ouvir.
— E olha só pra você agora. Um maldito predador.
Pisco, apenas para não revirar o olhos, posso continuar aqui 50 anos da minha vida que suas palavras ainda serão as mesmas... Os becos vazios que ele me apresentou, os golpes que mostrou somente a mim, as lutas que ele pediu os apostadores para jogar todo seu dinheiro em minhas costas porque eu não ia decepcionar. Tudo isso para no fim carregar alguns zeros na conta, e um Lobo no nome.
Mas de nada serve. Os zeros paga algumas contas, ajuda minha mãe. O nome, conhecido apenas nesses becos ou pela Universidade, causa um certo medo. Mas eu não fui feito para isso, não fui feito pra causar medo. Não foi isso que ele me ensinou. Sei que em algum lugar do mundo ele está decepcionado.
Por que eu também estou.
— Não fiz por você, Lobo.
A resposta é seca. Enfio o envelope no bolso e passa por Lobo sem sequer olhar para trás.
— Não importa por quem você fez. O que importa é que você é meu bilhete de ouro.
Ele gargalha, um som que fica pelos becos.
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OCEANO
FanfictionEm meio ao brilho e às sombras de Nova York, Scarlett LeBlanc teve o mundo aos seus pés. Filha de um empresário influente e de uma mãe ligada ao mundo da moda, ela cresceu rodeada por luxo e poder. Mas, apesar de ter tudo o que desejava, nunca conse...
