Você sabe o que eu estou pensando, vejo isso nos seus olhos
Você odeia me querer, odeio quando você chora
Die For You — The Weekend
Scarlett Leblanc
Sem sinal.
A mensagem me avisava pela quinta vez, mas eu não queria saber. Ainda assim, insistia, levantando o celular para o alto, girando-o para todos os lados minimamente possíveis. Nada funcionava.
Desci do tronco improvisado com um salto e iluminei os arredores, à procura de outro ponto. Talvez, com um pouco mais de altitude, o sinal finalmente viesse me salvar.
Apoiei o aparelho no chão e caminhei até outro pedaço de madeira. Segurei-o com firmeza, sentindo o peso nos braços, e, com um baque surdo, empilhei sobre o primeiro. A gambiarra gritava que aquilo não ia dar certo.
Mas isso era um dos meus menores problemas.
Esfreguei as mãos uma na outra, tirando a poeira. Peguei o celular de volta do chão e subi no tronco. Um leve desequilíbrio me fez querer recuar, mas insisti. Fiquei nas pontas dos pés, mais uma vez girando o celular em todas as direções possíveis. Um sorriso atravessou meu rosto quando o sinal apareceu.
— Achei! — gritei, em meio à floresta.
A alegria me fez dar um salto — um movimento involuntário do corpo, querendo transbordar o alívio. Mas também foi o movimento que me fez tropeçar para trás. Não tive tempo de gritar nem de me preparar para a queda. Apenas aceitei o meu fim.
O impacto foi contra algo duro, que me fez abrir apenas um dos olhos. Minhas mãos bateram contra a superfície — e então segurei. Apenas para ter certeza de que não estava sonhando. O corpo quente aqueceu o meu. O perfume voltou. Os olhos cinzentos me encaravam, perfurando. O semblante fechado. E ele me segurava nos braços.
— Não consegue ficar longe de problemas, raio de sol? — provocou, o hálito com cheiro de alguma bala de cereja me atingindo em cheio. — Florestas parecem ser sua especialidade.
Klaus me colocou no chão, mas não larguei sua mão. Ainda estava meio tonta da queda que não veio — mas também estava tirando uma casquinha.
— Como soube que eu estava aqui? — franzi a testa, sem entender ao certo.
Klaus se virou, pegou meu celular jogado no chão, entregou em minhas mãos e saiu caminhando no escuro. Talvez aqueles olhos cinzentos dessem a ele algum tipo de visão noturna.
— Não me deixe sozinha — grunhi, ligando a lanterna e atravessando à sua frente.
— Então trate de andar, Scarlett. Você teve a inteligência de se perder a pelo menos duzentos metros do orfanato — disse, ríspido.
Abri a boca em choque, apressando os passos para alcançá-lo.
— Olha aqui — disparei, irritada. — Para sua informação, eu estava salvando um cãozinho preso em um arame farpado. Tenho certeza de que, se você visse, faria o mesmo — desabei as palavras sobre ele, que não demonstrou nenhuma reação.
— Até porque agora você decidiu ser a santa Scarlett, que salva tudo e todos — ironizou, com uma risada cínica. — Que poético.
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OCEANO
Fiksi PenggemarEm meio ao brilho e às sombras de Nova York, Scarlett LeBlanc teve o mundo aos seus pés. Filha de um empresário influente e de uma mãe ligada ao mundo da moda, ela cresceu rodeada por luxo e poder. Mas, apesar de ter tudo o que desejava, nunca conse...
