Agora voltei para a introdução, voltei para o velho bar
Para a Bentley, para o hotel, para os meus velhos hábitos
Porque não quero me sentir como me sentir ontem à noite
Escapism — RAYE
Klaus Altman
O sangue escorre devagar entre meus dedos. A lâmina do canivete rasga a pele pela quinta vez, mas eu continuo. O corte é superficial, irrelevante.
Só quero sentir outra dor. Uma que eu possa controlar. Uma que me distraia.
Me encosto contra a árvore, os olhos presos na linha vermelha que pinga sobre a bota. Se eu focar no sangue, talvez não precise encarar o que está a poucos metros de mim.
Se eu olhar para ela agora, vou me aproximar, e se me aproximar, vou querer tocá-la, e se tocá-la, vou esquecer por que a odeio tanto.
Ontem à noite foi a prova. Eu já estou cedendo. Perdendo para um lado obcecado. Ela sempre me deixou assim. Ela sempre vem como um furacão, um tsunami com a força de um oceano escondido naquele corpo. E eu fico sem saber pra onde correr. Eu pensei que podia controlar. Fingir que ainda sou o Klaus que carrega um plano, uma raiva, uma promessa. Mas ela destrói qualquer lógica.
Ela caiu. Por minha causa. Me arrependi no segundo seguinte em que seu corpo foi ao chão. Não era minha intenção empurrá-la daquela forma. Talvez eu não tenha medido minha força. Mas isso não importa agora.
Ela está machucada — e eu sou o culpado.
Agora, não consigo olhar em sua direção sem sentir o gosto amargo da culpa. Sem ver seu rosto se misturar com o da minha mãe e enxergar o mesmo medo impregnado no olhar.
Eu me odiei por ter me tornado algo que um dia prometi não ser.
— Eu vou correr tanto atrás daquela ruivinha... — a voz de Joseph vibrou ao meu lado.
Fechei o canivete e o guardei no bolso da jaqueta. Cruzei os braços sobre o peito, encarando o campus lotado. Emma desfilava sua autoridade sobre uma mesa de pedra, explicando cada detalhe daquele trote que todo mundo já conhecia.
Mas ela, não.
Seus olhos observavam tudo, perdidos, sem acompanhar a lógica do raciocínio.
E quando encontram os meus, ela logo desvia.
— Nossos veteranos já sabem o que fazer — Emma continua, a voz sobressaindo às demais. — E, para os que chegaram agora, é. simples: corram. Apenas corram, e não deixem que eles encontrem vocês. Ou deixem... — sorriu, descendo da mesa. — Às vezes, o pedido pode ser ótimo.
O lugar é preenchido por passos apressados. Joseph encaixa sua máscara azul no rosto, não perdendo tempo antes de começar a procurar a garota ruiva em meio à multidão. Josh ainda está parado ao meu lado, varrendo o local com os olhos em busca de alguém. Will, por outro lado, foca seu olhar em Scarlett, mas, ao notar minha carranca, logo desvia, forçando um sorriso cínico e correndo na direção de Alessia.
Ele só queria arrancar dinheiro da morena.
— Estava ansioso por isso — Andreas encaixou a máscara vermelha no rosto, mirando Nabi com os olhos acesos. — Hoje essa coreaninha não me escapa.
Soltei um sorriso de escárnio, mal acreditando no que estava ouvindo. Nunca vi Andreas daquele jeito. Ele nunca foi o tipo que se importava com sentimentos, mas o fato de Nabi ter sido a primeira a não cair no papo dele o deixou numa missão pessoal de chamar sua atenção. Mas é óbvio que ele nunca admitiria isso nem para si mesmo.
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OCEANO
FanfictionEm meio ao brilho e às sombras de Nova York, Scarlett LeBlanc teve o mundo aos seus pés. Filha de um empresário influente e de uma mãe ligada ao mundo da moda, ela cresceu rodeada por luxo e poder. Mas, apesar de ter tudo o que desejava, nunca conse...
