Capítulo 11

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Eu posso ser a pessoa sobre a qual você fala em todas as suas histórias
Eu posso ser ele?


Cam Be I Him - James Arthur

Scarlett Leblanc

A luz suave da manhã atravessava a cortina branca do quarto. Seguro a maçaneta com força, fechando a porta com cuidado para não acordar Nabi, mas, quando me viro, ela está sentada em minha cama, como uma mãe que espera o filho voltar pra casa.

Espero pelo sermão — que, honestamente, eu estava merecendo. Mas ele não vem. Sua mão bate na cama, me chamando para sentar.

Eu não precisava falar para que Nabi me entendesse.

Apressada, jogo as coisas sobre a mesa de canto — bolsa, celular, chaves — e, depois, tudo o que me resta é me jogar na cama, repousando a cabeça em seu colo.

As mãos delicadas acariciam meus cabelos. Fecho os olhos, inalando seu perfume floral, buscando ali um conforto.

Mas, quando solto o ar, as lágrimas vêm.

— Como você pode ser amiga de alguém como eu? — choramingo em seu colo, fungando pelo choro. — Eu sou ruim, Nabi.

Ela suspira, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

— Você não é ruim, Scar — rebateu, severa. E, por um momento, pude acreditar. — Você fez escolhas ruins. É diferente.

— Pessoas ruins fazem escolhas ruins — digo, embriagada pelo choro. — Então, se eu fiz escolhas ruins, é porque não sou uma boa pessoa.

Nabi revira os olhos, visivelmente contrariada com o meu pensamento, mas, no fim, decide não discutir.

— Vai tomar um banho e trocar essa roupa molhada — ela se levanta, forçando-me a fazer o mesmo. — Você precisa dormir pra começar a raciocinar direito.

Sem cerimônia, ela me empurra, ocupando todo o espaço para se deitar.

— Como se eu não fosse a única que pensa aqui. — O pequeno sorriso presunçoso se abriu em meus lábios.

Ela não responde, apenas me olha de canto, com a expressão clara nos olhos de que está se segurando para não me dar uma resposta que vai me fazer dormir quietinha.

— Vai tomar banho — exigiu, virando-se para a parede.

Encontro sobre a cama minha toalha rosa e a seguro com força, ainda plantada no quarto, encarando Nabi, que tentava dormir.

— Quando eu voltar, você ainda vai estar aqui? — pergunto, como se ela pudesse sumir de uma hora para outra.

E ao menos essa ideia me assusta. Assusta ao ponto de eu querer me certificar, a todo momento, de que não vou perdê-la. Ainda mais agora que Klaus está de volta — Nabi é tudo que tenho aqui em Oxford.

Um passo em falso, e nada me resta.

— Eu sempre vou estar aqui, Scar — ela respondeu, abraçando o cobertor de ursinhos jogado na cama.

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