Não consigo parar de olhar para seus olhos de oceano
Cidades em chamas e céus de napalm
Quinze chamas dentro daqueles olhos de oceano
Seus olhos de oceano
Ocean eyes - Billie Elish
Scarlett LeBlanc
— Itália?
A última foto Polaroid desliza entre meus dedos antes de ser cuidadosamente fixada na parede. O pequeno quadrado branco contrasta com a tinta neutra do dormitório, e por um momento, fico apenas observando a imagem. Meu pai e eu estávamos tão felizes esse dia, foi nossa última viagem para Itália, antes de eu receber a notícia de que fui aceita em Oxford.
— Fomos visitar os meus avós. — Olhei uma última vez para foto, depois me virei para Nabi, que olha com atenção a fotografia.
— O seu lado ficou pronto?
Estávamos desde cedo decorando o dormitório, retirando as coisas da mala para arrumar no pequeno guarda roupa, trocando as roupas de cama para algo menos morto e sem vida. Eram pequenos ajustes, mas que traziam um sentimento de lar para o lugar.
— Só falta isso. — Nabi sobe em sua cama, segurando um quadro da série Stranger Things e o pendurando na parede de cor amarelo claro. — Prontinho.
Sorrimos satisfeitas, apreciando em silêncio a pequena mudança feita no lugar.
— E então? — Caminho até a porta, segurando a maçaneta. — Um café?
— Um café. — Nabi salta, correndo para fora.
O sol da tarde nos recebeu assim que deixamos o dormitório. Sem pressa, seguimos pelas ruas em busca de uma cafeteria, o vento fresco bagunçando nossos cabelos. A cidade parecia uma pintura viva, com suas construções históricas e o burburinho dos pedestres se misturando ao som dos carros. Ainda era difícil me acostumar com tudo aquilo, mas talvez ninguém se acostume em apenas dois dias.
Eu me pegava tentando memorizar os caminhos, gravando mentalmente as fachadas e vitrines ao meu redor. Era estranho perceber como, até poucos dias atrás, eu conhecia cada rua de Nova York sem esforço, e agora precisava me habituar a um novo cenário. A ideia de recomeçar em um lugar desconhecido ainda parecia irreal, como se minha mente resistisse a aceitar que aquela era minha nova realidade.
— O que acha daquele lugar? — perguntou Nabi, sua voz me puxando de volta à realidade.
Segui seu olhar até uma pequena loja de fachada rosa. A construção se destacava entre os edifícios ao redor. Na vitrine, objetos antigos disputavam espaço com buquês e jarros de flores.
— Eu adorei — exclamei, puxando-a em direção ao lugar. — Vamos.
Do outro lado, empurrei a porta de vidro e varri o ambiente com o olhar. O lugar era ainda mais bonito por dentro. Havia tantas peças: relógios de bolso, instrumentos de navegação, caixinhas de música antigas. No canto oposto, uma vasta variedade de flores suavizou a atmosfera densa e misteriosa da loja.
— Olá? — chamei, sem ver ninguém por perto.
Nenhuma resposta, apenas o zumbido distante dos carros lá fora.
— Tem alguém aí? — Minha voz ecoou pelo espaço vazio, e me senti como aqueles personagens idiotas de filme de terror que, em vez de correr, vão direto para o abate.
Silêncio.
Mais uma vez, o silêncio preencheu o lugar.
— Acho melhor a gente voltar. — Nabi quebrou a tensão, já se encaminhando em direção à saída.
VOCÊ ESTÁ LENDO
OCEANO
FanfictionEm meio ao brilho e às sombras de Nova York, Scarlett LeBlanc teve o mundo aos seus pés. Filha de um empresário influente e de uma mãe ligada ao mundo da moda, ela cresceu rodeada por luxo e poder. Mas, apesar de ter tudo o que desejava, nunca conse...
