Capítulo 12

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Eu vou comprar um anel de diamantes para você
Eu vou cantar para você
Eu farei de tudo por você, para vê-la sorrir
E se o passarinho não cantar e aquele anel não brilhar
Eu vou quebrar o pescoço do passarinho
E vou ao joalheiro que vendeu o anel
E fazê-lo comer cada quilate

Mockingbird - Eminem

Klaus Altman

A grande casa se iluminava ao pôr do sol. A tintura amarela das paredes refletia o dourado do céu, a sensação era que o dia ainda insistia em deixar um pouco de luz antes de partir. Nesse momento, se tornou impossível não lembrar da primeira vez que estive aqui. O amarelo, eu soube depois, foi escolhido a dedo, a cor da felicidade, da esperança, daquilo que todos desejam encontrar dentro destas paredes. E, talvez, eles encontrem. Dependendo do ponto de vista, há sim alegria, há luz. A abundância, às vezes, aparece nas pequenas coisas, em um sorriso tímido, em uma risada que escapa, em mãos que se entrelaçam mesmo sem laços de sangue.

No grande portão de ferro, lia-se em letras grandes e engarrafadas. Wood Foundation Oxford.

O gramado estava impregnado com as risadas das crianças, que brincavam sem pressa. Voluntários corriam entre elas, os pés sujos de terra e as mãos ágeis para não deixá-las cair.

E, entre tudo, lá estava ela. Como de costume, sentada à sombra da pequena árvore que tinha mais anos de vida do que ela. Antes mesmo dela sonhar em nascer, aquela árvore já estava ali — florindo na primavera e caindo no outono. Penso que aquelas flores de cerejeira fossem destinadas a ela. Que sempre estiveram ali, esperando por sua chegada.

Aproximo um passo.

Suas mãos seguravam uma borboleta, com um cuidado extraordinário. O cabelo preto dançava com o vento, pouco abaixo dos ombros. Os olhos castanhos — grandes, atentos — se ergueram até mim.

Havia amor ali. Esperança. Um olhar que atravessava o vazio e não via meus buracos.

Ela nunca viu.

Me aproximei devagar, o peito apertado.

Quando nossos olhos se encontraram, ela saltou do banco em um impulso leve e veio correndo até mim.

Abri os braços.

E, no instante seguinte, ela estava no ar. Seu corpo pequeno nos meus braços, girando no fim da tarde. Ela sorria. E seu sorriso era tão inteiro, tão livre, que por um momento eu esqueci do mundo.

Era o sorriso puro de uma criança de oito anos que amava a vida — mesmo tendo conhecido tão pouco dela.

Mas o pouco que ela conhecia era mais do que suficiente, mais suficiente do que alguém de cinquenta anos que está apenas vagando.

Porque, com apenas oito anos, ela vive o amor. Vive a luz. E mais vale oito anos felizes do que cinquenta como um suicida.

E eu só entendo isso quando olho para ela.

Hope.

Minha garotinha. Minha esperança.

— Tio Klaus, eu senti sua falta. — Os pequenos braços rodeiam meu pescoço com força.

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