Capítulo 24

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                Cheguei em Belo Horizonte logo cedo e as notícias não eram nada boas, a infecção de Pedro não cessava e ainda por cima era preciso que ele fizesse uma cirurgia, mas com a infecção não haveria como fazer e a cirurgia que tinha de ser feita com urgência.

No acidente de carro um objeto perfurou a bexiga de Pedro e as coisas foram se complicando depois disso, acho que o fato dele estar vivendo lá naquela casa naquelas condições antes que eu chegasse, foi que agravou essa infecção e outra coisa também é que não houve quem fizesse os curativos do jeito que era para ter sido feito.

                  A enfermeira me disse que Pedro me chamava no quarto, eu fui apreensiva. Chegando lá ele pegou a minha mão e a beijou, depois me alisava os braços e me pediu perdão por não me amar do jeito que eu merecia, do jeito que eu queria.

Eu puxei meu braço e fiquei calada, ele insistiu para que eu falasse alguma coisa e eu fiquei calada, ele me pediu perdão novamente e disse:

-Os sentimentos são coisas que estão fora de nosso controle, poderiam ser como nossos cabelos, por exemplo, que a gente coloca do jeito que a gente quer, alisa com a brilhantina, raspa, pinta, deixa crescer...

Mas não é assim, não é assim, Geórgia!

Olha para minha cara, agora e diz que me perdoa!

                Eu estava de cabeça baixa, não gostei do que havia escutado, sai do quarto, fiquei sentada no banco do corredor até criar coragem de ir embora.

                 Já era tarde da noite quando Antônio, o amigo de Pedro chegou na casa da minha mãe e nos deu a notícia que Pedro não resistiu a infecção e morreu.

Eu desmaiei e acordei em cima da cama com meus filhos do meu lado colocando um pano com álcool em meu nariz, minha mãe apertava minha mão.

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                       Foi um cortejo bonito, todos os taxistas estavam lá no cemitério, fizeram discurso, bateram palmas, a vizinhança, meus filhos e eu, os amigos de Pedro, a irmã dele, o irmão que saiu da cadeia estava lá, todos estavam lá.

Menos aquela que ele mais queria que estivesse lá, a mulherzinha ordinária, a praga, a outra, a peste!

Aquela que ele realmente amava, que o fazia de "gato sapato", aquela que fez com que ele fosse irresponsável com sua própria família, aquela que o abandonou na hora que ele mais precisava, aquela que foi a "pedra de tropeço" em minha vida.

Ela não estava lá!

Pobre Pedro!

                       Por causa disso, resolvi ficar com Mariano com todo meu esforço, eu iria me dedicar a ele, iria retribuir tudo de bom que ele me dava, queria tentar de novo.

Mas...

Onde eu iria encontrá-lo?

Jamais eu saí do país, nunca havia entrado em um avião, nem sabia como fazer para chegar aos Estados Unidos, não sabia qual a cidade e se chegasse lá, não sabia como achar o Mariano no meio daquela multidão.

As 4 paredesOnde histórias criam vida. Descubra agora