Capítulo 14

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            Eu não resisti ao Mariano! Lógico!

Nós saímos várias vezes, ele me levou no bondinho, me levou no Cristo Redentor e foram passeios bem românticos, desde que tinha chegado ao Rio minha vida era trabalhar, trabalhar e trabalhar.

Foi com Mariano que eu fui pela primeira vez ao cinema, eu via as pessoas contando como eram os filmes e ficava imaginando, quando fui achei uma surpresa bem agradável.

Quando saímos do cinema foi que Mariano me beijou pela primeira vez e aí que a coisa ficou séria, ele confessou que estava apaixonado.

Disse que era viúvo já fazia uns três anos e estava cansado de se sentir tão sozinho e que ultimamente ele não se interessava por ninguém, a vida dele se resumia em ir do quartel para casa e de casa para o quartel, de vez em quando ele jogava bola com os amigos na praia e nada de muito interessante acontecia em seus dias, até que me viu dançando na festa do amigo Raimundo e ele despertou pra vida. Sei bem!

                       Um dia Mariano me levou a uma confeitaria e me deixou lá por muito tempo, eu fiquei preocupada, pois ele me deixou na mesa e saiu, demorava muito, pensei que talvez ele tivesse ido embora, porque talvez fui grosseira sem perceber, eu fiquei imaginando um tanto de coisas, preocupada.

Quando ele chegou com um buquê de rosas vermelhas e me entregou, perguntou se eu queria me casar com ele.

Meu Deus!

Eu fiquei sem saber o que fazer!

Como dizer pra ele que eu ainda estava casada e tinha dois filhos?

Com o buquê nos braços eu tentava dizer alguma coisa e minha língua enrolava, nada saía. Que aflição!

Foi uma mistura de alegria com falta de jeito, com um pouco de desespero e vontade de correr.

                       Durante a noite toda fiquei pensando em tudo que vivi até ali, a vida com Pedro, as humilhações da mãe dele, a fome que passei, as crianças, a fuga...

E o pior de tudo foi que eu ainda amava o Pedro.

O pior de tudo era isso!

Eu ainda não estava preparada para viver com outro homem, nem sei se teria coragem para me entregar ao Mariano (sexualmente falando), apesar dele ser bonitão.

Eu tinha ele como um amigo, um amigo íntimo, alguém que servia para me levar pra passear, me dava diversão, me dava auto estima, amenizava bastante minha vida ruim de trabalho duro todos os dias...

Mas...

Amor?

Não tinha por ele.

                     No encontro seguinte conversamos sério, eu disse a ele sobre Pedro e meus filhos e contei algumas coisas que tinha passado, não contei tudo por vergonha, somente o básico, o leve.

E me surpreendi!

Mariano disse que Raimundo já havia contado a ele sobre mim, o básico pelo visto, que eu era casada, fugi para o Rio e tinha dois filhos.

Me senti tão aliviada, foi como se eu tivesse tirado um saco de 50 quilos de minhas costas e perguntei: -Apesar de tudo isso você quer algo sério comigo, Mariano?

Ele respondeu que sim, queria.

Disse que era dono da vida dele, experiente, vivido, não tinha que dar satisfação da vida dele pra ninguém, era livre e não estava nem aí para os padrões da época.

Se eu aceitasse, nós iríamos morar juntos no apartamento que ele vivia com a esposa e agora vivia lá sozinho, ele me ajudaria com as despesas com meus filhos em Belo Horizonte.

Ele como era da Marinha tinha um bom rendimento todos os meses e também tinha uma boa economia guardada.

Eu disse que iria pensar. Pois eu sabia que ainda amava o Pedro.

Queria eu que todo aquele sentimento que eu tinha fosse como uma folha de papel que você amassa e joga no lixo, ou coloca fogo e ela se queima e deixa de existir.

Mas não era!

Infelizmente!

                   O Mariano significava para mim a grande chance de tomar uma atitude em favor de mim mesma. Eu não podia, nem devia desperdiçar aquela chance.

As 4 paredesOnde histórias criam vida. Descubra agora