Passado, após 2010.
Harry estava com dezenove anos. Com mais tatuagens, cabelos que ele prendia na parte da frente com uma pregadeira ou então abrigava em uma touca.
Tudo parecia mais vazio que o normal, sem Louis.
Sem Louis, conter os impulsos se tornava uma tarefa cada vez mais difícil. Ele estava voltando com o velho hábito de caçar por pequenos animais mortos. Não havia um vestígio sequer de emoção no garoto. Ele estava vivendo um profundo e infinito luto pela perda do amor.
Mas algo mudou...
Algo mudou quando, enquanto caminhava num fim de tarde de volta para casa, voltando de um dia de treinamento no campo de treinamento policial, Styles parou ao escutar a voz assustada de uma criança.
— Policial.. policial, ei, senhor policial.
O jovem olhou para todos os cantos com as sobrancelhas franzidas, até que seu olhar curioso finalmente encontrou a fonte daquela voz infantil; atrás de uma cerca de pedra quebrada, pequenas mãozinhas sujas e pés descalços. Harry caminhou até lá e se agachou.
— Chamou por mim?
— Sim... — O garotinho põe o rosto na abertura quebrada entre as pedras.
— Estava chorando? Por que? — H pergunta baixo. O menino parece hesitante em falar; ele olha para trás, para a porta de casa, se certificando antes de olhar para Harry outra vez.
— Mamãe vai me levar para o homem mau.. Eu não quero ir. Por favor, não deixa o homem mau me levar. — A mão pequena agarra o joelho de Styles ao passar pela abertura nas pedras. Harry, pensativo, olha para ele antes de se levantar.
— Não vai!
Antes que a criança pudesse chorar outra vez, Harry toma impulso com as palmas sobre a cerca de pedra e salta com as pontas dos pés, pulando para dentro do quintal da propriedade. O garotinho imediatamente abraça a perna dele; parecia ter entre oito e nove anos.
Styles se agacha novamente. Desta vez, ele limpa o rosto da criança com uma das mãos.
— Qual é o seu nome?
— Carlo..
— ... Conte-me mais sobre a mamãe, Carlo.
[...]
O carro de Harry estacionou frente à uma loja de utensílios e ferramentas. Ele desceu e entrou, indo até o balcão do atendente.
— Eu quero um kit de Serrotes e facas, por favor.
Pediu com um sorriso gentil. E ele era gentil. Ele precisava disfarçar, se encaixar, viver como alguém que ele não era; não permitir que ninguém desconfiasse dele.
E ele era perfeito no que fazia.
Para não plantar suspeitas, Harry foi em diferente lojas, em diferentes lugares, vilas e bairros.
Em outra loja de utensílios e utilitários, ele comprou um avental amarelo e um par de luvas grossas na mesma cor, óculos protetores e máscaras descartáveis.
Seguindo sua mudança de direções, o último ponto foi uma farmácia; onde ele comprou seringas, muitas seringas; e frascos, alguns frascos; e remédios, alguns remédios. E barras de cereais, muitas barras de cereais.
[...] — Pra onde a gente tá indo, Policial? — O garotinho pergunta do banco de trás, quando Harry volta ao carro e entrega a ele algumas barras de cereais e uma latinha de suco de uva industrializado.
— Eu vou te deixar na sua casa, e então, mais tarde, quando a sua mamãe te levar para o homem mau naquele lugar que você me disse, eu vou estar lá para não deixar que eles te machuquem. Igual a gente combinou, certo?
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Behind the Red Lake | l.s
FanfictionHarry Styles e Louis Tomlinson viveram um romance secreto quando adolescentes; atrás do lago vermelho, onde estavam seguros das garras da discriminação e da religião. Atrás do lago vermelho, onde seus mais profundos segredos foram afogados no fundo...
