20. SACRED OFFERING

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2024.

Um mascarado entrava num pequeno cômodo inteiramente branco e iluminado, onde o anteriormente citado baú da seia estava localizado; onde deixariam, um por um, as tais oferendas. Ele trancou a porta. Havia uma mulher lá, também mascarada e com roupas de enfermaria.
Havia uma maca, uma mordaça, um armário com utilidade médica e uma variedade de tipos de facas e machados pendurados na parede acima da maca.
O mascarado tirou a máscara, o terno, a camisa e a gravata, e colocou a mordaça na própria boca. Ele analisou a parede e escolheu uma pequena faca pontuda de cabo vermelho.

O homem então sentou-se na maca, estendeu a perna e, de forma natural, começou a retirar um pedaço da carne daquela região do próprio corpo. Gemia dolorosamente contra a mordaça, os olhos lacrimejados ardiam, e ele respirou aliviado, porém rápido, quando finalmente retirou o pedaço.

Quando terminou, a mão tremendo entregou a faca para a enfermeira; que cuidou do local ferido e enfaixou num curativo bem feito.

— Talvez fique manco por alguns dias. — Ela pontua. Ele assente com a cabeça, ainda respirando rápido.
Após receber um analgésico para dor e os devidos cuidados, o homem se vestiu e se mascarou novamente antes de ir deixar o pedaço da carne de sua coxa no baú. Dentro, já haviam alguns outros pedaços de oferendas; dedos, dentes, mais carne, lóbulos de orelha e outras partes de corpos humanos (arrancados por espontânea - e doentia - vontade).

Não, Louis não sabia.

Louis não sabia que o sangue misturado ao vinho era apenas uma gota no meio do oceano.

[...]

"Vou ficar bem... Mais tarde vamos estar juntos): eu te amo ok, curls? Se cuida por mim"

Após responder as mensagens de Harry, Louis deu-se um tempo a mais para respirar dentro do banheiro do cômodo que fora reservado para si. Ele ainda precisava passar pelo jantar, e ainda era apenas o primeiro dia infiltrado para a investigação.
Se sentia minimamente mais aliviado por saber que após o jantar, às 20h iria embora. Afinal, o Pastor Norton ainda era o Pastor na igreja, e os fiéis que não participavam da Seita ainda compareciam aos cultos normais.

Louis respirava fundo, com as mãos enfaixadas segurando no mármore da pia e cabeça baixa, finalmente podendo sentir o ar sem aquela máscara incômoda.

— Aguente firme, rapaz. Harry vai fazer algo hoje, é provável que eles sintam em cerca de meia hora.

A voz de Rory por trás da escuta o fez soltar o ar dos pulmões, assentindo brevemente com a cabeça antes de secar o rosto e sair, ansioso. Louis sentia que precisava se conter melhor. Sua atuação precisava convencer melhor.

Quando ele adentrou a sala de jantar, todas as máscaras brancas se voltaram para si. Quase tudo era branco, a propósito. As máscaras, os ternos, o chão, as paredes. Mas a toalha da longa mesa era vermelha, tal como as cortinas e o tapete. Tudo remetia ao sangue para Louis.
Caminhou até a cadeira que lhe fora puxada, e assentiu com a cabeça antes de se sentar. Devido a altura de Tomlinson, a microcâmera dentro do pingente só conseguia capturar, dos mascarados, dos ombros para baixo.

Tente subir um pouco a câmera, Tomlinson.

O pedido de Rory o pôs um pouco nervoso, pois não sabia como fazer. Remexeu os quadris minimamente e resmungou baixo, sinalizando com uma das mãos para o mascarado de pé um pouco ao lado.

— Não me sinto confortável nesse assento. Poderia providenciar uma almofada? Confortável e alta, por favor. — Solicitou, sendo direto e pacífico.

— Sim, divino. Trarei em dois minutos. O Senhor também precisa de algo para apoiar os pés?

— Não, somente a almofada.

Behind the Red Lake | l.sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora