Após terminar a temporada de clubes, Julia contava os minutos para a temporada de seleções ansiosa por uma convocação para defender o Brasil na VNL, ao conseguir essa conquista Julia só não contava que enfrentaria a maior pedra no seu sapato desde a...
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NCAA, ESTADOS UNIDOS
Poderia ser facilmente confundido com uma cena de filme, aos olhos de Julia e do ginásio lotado. Era realmente inacreditável como alguém conseguia marcar tantos pontos seguidos daquela forma. Julia sentia o sangue fervendo a cada apito do juiz validando mais um ponto adversário e a cada encarada debochada que recebia ao ser bloqueada. A camisa 7 de Stanford - morena, confiante e insuportavelmente provocadora - parecia saber exatamente onde e como provocar.
Não conseguia entender quando, exatamente, o jogo desandou para o time da Georgia Tech. Bastou a entrada daquela ponteira no time de Harvard para tudo desabar. A dinâmica mudou. O ataque ficou mais agressivo, o bloqueio mais afiado. E a confiança... aquilo transbordava da camisa 7 com um sorriso arrogante que Julia queria apagar à força.
Após o técnico da Georgia pedir tempo, Julia permaneceu imóvel, os olhos fixos na rival. A camisa 7. Aquela jogadora não apenas jogava - ela dominava. Julia tentava encontrar alguma falha, alguma explicação para tamanha performance, mas tudo que recebeu foi uma piscada atrevida da morena. Aquilo fez seu estômago revirar.
Já era o fim do terceiro set. Stanford tinha três pontos de vantagem. Mas Julia ainda acreditava no empate. Ainda havia tempo, se o time reagisse. No entanto, mais uma vez, a camisa 7 apareceu - ataque limpo, sem chance de defesa. O placar se tornava um inimigo, e Julia, cada vez mais pressionada, sentia a frustração crescendo.
Mas ela não era do tipo que abaixava a cabeça.
Recebeu o passe da levantadora, respirou fundo e saltou, canalizando toda sua raiva no ataque. A bola estourou no fundo da quadra adversária, arrancando gritos da torcida da Georgia. Julia virou-se, encarando diretamente a camisa 7, com um sorriso sarcástico e o olhar cheio de desafio.
Sacou na sequência, mirando nela. E teve a recompensa ao ver a recepção falhar - um ace seco, limpo, provocativo.
- Vamos! Ainda temos chances, vamos, time! - gritou a capitã, tentando reacender o espírito das jogadoras.
E reacendeu. Julia brilhou novamente, cravando mais um ponto e garantindo o set point para a Georgia. Seus olhos buscaram a camisa 7 outra vez. Havia um fogo ali. Ela queria aquela disputa. Queria provar algo - e não era apenas dentro de quadra.
Quando a bola voltou para sua equipe, a jogada seguiu rápida. Julia recepcionou, viu a levantadora erguer para a central, que atacou com potência. Mas foi bloqueada - e adivinha por quem? A camisa 7. Aquela garota parecia em todos os lugares.
Na jogada seguinte, foi a vez de Julia brilhar de novo. A bola veio alta, perfeita. Ela se impulsionou e atacou com precisão, furando o bloqueio e marcando o ponto final do set.
E assim o jogo foi para o tie-break. Tudo ou nada.
A Georgia sacou bem, mas Stanford devolveu com frieza. A camisa 7 atacou no meio da quadra, mais um ponto. Julia cerrava os dentes. Cada jogada da rival parecia um soco no seu ego.
A diferença de pontos aumentava, e o bloqueio de Harvard estava cada vez mais difícil de vencer. A camisa 7 lia cada jogada, parava cada bola. E fazia questão de comemorar olhando direto nos olhos de Julia, como se dissesse "você não vai passar".
Julia não podia deixar isso acontecer. Recebeu o passe, avançou e, com inteligência, atacou no fundo. A bola passou. Ponto. E dessa vez foi ela quem encarou, sorrindo com superioridade.
Mas não foi suficiente.
O placar final: 3x2 para Stanford.
A derrota doía. Julia mal conseguia esconder a frustração. Xingou baixo ao ouvir a risada debochada da camisa 7. Aquilo a corroía por dentro. Passou as mãos pelo cabelo, tentando organizar os fios e também os pensamentos.
O barulho dos tênis no chão ecoou em sua direção. Não precisou se virar para saber.
- Cuidado pra não ficar vesga. Já não basta a derrota? - provocou a camisa 7, parando ao seu lado, com um sorriso debochado nos lábios.
Julia respirou fundo, com os olhos semicerrados.
- O que você quer? Veio encher meu saco? Eu não tô com paciência pra joguinho. - rebateu, cruzando os braços.
- Ah, Julia... não é joguinho. É competição. E, sendo sincera, você precisa treinar mais um pouco. Tá ficando previsível. - A morena deu uma risada leve, cínica, que atravessou os nervos da ruiva como uma faísca.
Julia sentiu o sangue esquentar.
- Espero que percam o próximo. Talvez assim você desça desse salto. Agora, se me der licença... tenho mais o que fazer. - Pegou sua garrafa e a toalha, dando as costas.
- Passar bem, Cacella.
Emily riu, sem pressa.
- Boa sorte da próxima vez, Bergmann. Eu vou ser sua pedra no sapato nessa temporada.
Julia parou. Virou-se, lentamente, os olhos fixos na morena.