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Após o primeiro gole de café, o ambiente do Amanthyllis ficou ainda mais envolto em murmúrios e olhares intrigados. O sabor forte e, ao mesmo tempo, suave, fez com que muitos se perguntassem de onde vinha essa novidade tão inesperada. As conversas cresciam em torno das mesas, enquanto Elara observava com atenção cada reação. A magia de sua estratégia estava começando a dar frutos, e o Amanthyllis já se tornava um ponto de interesse para os nobres.

Erion estava sentado ao seu lado, sua presença sempre envolvente, mas desta vez parecia mais intrigado do que o normal. Ele descansava seu olhar sobre Elara de uma forma que a fazia sentir sua curiosidade quase palpável. O mistério que ela envolvia apenas o atraía mais.

“Você consegue sentir isso?” Erion murmurou, inclinando-se mais próximo. “Há algo diferente aqui... não apenas no café. A atmosfera, a forma como o lugar parece se mover ao nosso redor, quase como se estivesse vivo.”

Elara olhou ao redor, disfarçando o sorriso que ameaçava aparecer. “A magia está em todos os detalhes, não acha? Pequenos toques que fazem com que os sentidos fiquem mais aguçados.”

Ela sabia que ele estava certo. O ambiente do Amanthyllis fora cuidadosamente pensado para provocar reações que iam além do simples paladar. O espaço parecia pulsar levemente com magia oculta, algo que apenas os mais atentos poderiam perceber. Erion, com sua experiência e intuição afiadas, sentia essa energia, mas não conseguia identificar sua origem.

“É interessante como algo aparentemente tão simples pode deixar uma impressão tão duradoura,” Erion disse, dando mais um gole no café. Seus olhos nunca deixaram Elara, como se ele quisesse sondar cada um dos seus segredos. “Há uma mão invisível por trás disso... algo que não conseguimos ver, mas que sentimos.”

Elara virou-se para ele, o olhar fixo e enigmático. “Erion, tudo que é verdadeiramente poderoso é sutil. O que você vê agora é apenas a superfície.”

“E o que está por baixo dessa superfície?” Ele perguntou, seu tom agora mais sério.

Ela apenas inclinou a cabeça levemente. “Talvez um dia você descubra.”

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Conforme a noite avançava, os nobres estavam mais relaxados, imersos nas discussões sobre o café, sobre o Amanthyllis e suas peculiaridades. O ambiente continuava encantador, e era evidente que o estabelecimento se tornaria um novo ponto de encontro para a elite. Um sucesso incontestável.

Violett, em seu papel perfeitamente executado, circulava entre os convidados, conversando com eles e supervisionando a equipe. Sua presença era discreta, mas ela sempre se certificava de estar no lugar certo, evitando qualquer conexão direta de Elara com o empreendimento.

O foco da noite, no entanto, voltou-se completamente para Erion e Elara. O interesse do príncipe por ela estava se tornando cada vez mais evidente, e os olhares curiosos não conseguiam se conter. Muitos ali notavam como ele a observava, como a tensão entre os dois estava cada vez mais palpável. Alguns sentiam inveja, outros especulavam sobre o que poderia estar acontecendo nos bastidores.

“Você sabe que está atraindo atenção,” Erion disse de repente, sua voz baixa, apenas para ela ouvir.

“Talvez,” Elara respondeu, casual, enquanto tomava um pequeno gole de seu café. “Mas é inevitável, não é? Estar ao seu lado traz esse tipo de atenção.”

“Não é apenas isso,” ele respondeu, inclinando-se mais próximo, sua voz um sussurro que quase tocava sua pele.“Há algo em você... que me desafia e me intriga de verdade,”

Elara sustentou o olhar, seus olhos faiscando com um misto de mistério e controle absoluto. “E você parece gostar de desafios, não é, príncipe?”

O sorriso de Erion se alargou, mas havia algo sinistro em sua expressão, um charme que carregava perigo. “Gostar seria um eufemismo. Viver sem desafios é morrer em vida, e você... você me mantém sempre em alerta.”

O ar entre eles parecia eletrizado, carregado com uma tensão invisível que poucos perceberiam. Elara sabia que Erion não era alguém fácil de manipular; ele via por trás de máscaras, lia intenções. Mas ela também sabia que ele estava atraído, não apenas por sua aparência ou palavras, mas pela complexidade de sua mente. Ele a via como um igual, um oponente à altura — uma peça rara no jogo de poder que ele tanto dominava.

Mas o verdadeiro perigo residia exatamente ali: na percepção errônea de Erion de que eles estavam no mesmo nível. Elara não era uma simples jogadora. Ela criava o tabuleiro.

“Fico contente em saber que posso despertar algo em você,” ela respondeu, sua voz serena, mas cada palavra era cuidadosamente escolhida, carregando mais do que a superfície mostrava.

Erion se aproximou, o calor de sua presença quase palpável agora. “Despertar? Elara, você faz mais do que isso. Você me desafia como ninguém jamais ousou.”

Os olhos de Elara se estreitaram ligeiramente, um movimento sutil, mas carregado de significado. Ele estava jogando com ela, tentando arrancar mais do que o necessário. E o mais perigoso era que ele poderia estar se apaixonando pelo desafio — ou por ela. O interesse dele não era apenas político. Isso tornava tudo mais delicado e, ao mesmo tempo, ainda mais manipulável.

“Desafios moldam os mais fortes,” ela murmurou, permitindo que a ambiguidade de suas palavras o mantivesse curioso.

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Enquanto a noite caminhava para seu fim, Erion e Elara deixaram o Amanthyllis. O ar fresco da noite contrastava com a intensidade do encontro, e a lua alta parecia uma testemunha silenciosa de suas trocas.

“Esta noite foi... inesperada,” Erion disse enquanto paravam no topo dos degraus. O brilho da lua refletia em seus olhos como se ocultasse algo ainda não revelado. “Mas eu tenho a sensação de que você sempre tem mais a mostrar, algo que ainda esconde de mim.”

Elara manteve-se serena, um sorriso frio e enigmático adornando seus lábios. “Talvez seja verdade, ou talvez você só precise olhar mais de perto, príncipe.”

Ele sorriu, aquele sorriso que revelava uma confiança perigosa. “Você sempre tão evasiva, Elara. Tão cuidadosa. Mas saiba que isso apenas me faz querer ir além.”

Erion estendeu a mão, tomando a dela de forma inesperada. Não foi um gesto de gentileza. Havia uma possessividade disfarçada de cortesia, algo que carregava intenção. A pressão de seus dedos parecia querer marcar um território, testá-la.

Elara permitiu o contato, mas seus olhos não vacilaram. Ao contrário, ela retirou a mão suavemente, controlando cada segundo, cada movimento. “O jogo está apenas começando, príncipe. Não se apresse em tentar decifrar cada carta.”

Erion a observou por mais um momento, fascinado, e com uma inclinação discreta, subiu em sua carruagem, os olhos ainda cravados nela, como se estivesse registrando cada detalhe. Elara o observou partir, sua postura altiva e impenetrável. Ele acreditava estar no controle, mas mal sabia que era apenas uma peça que ela movia em um tabuleiro muito mais amplo.

Assim que ele desapareceu no horizonte, Benedith emergiu das sombras com a sutileza de quem sempre soube seu lugar ao lado de sua senhora.

Elara Sulfuric [  O Legado ]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora