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Após o jantar, Elara despediu-se de sua família com um aceno leve, sua mente já antecipando os próximos passos de seus planos. Ao atravessar os corredores do castelo, o som de seus passos ecoava em sincronia com o de Benedith, que a acompanhava em silêncio. O ar noturno estava fresco, carregado de uma sensação de expectativa e mistério, como se a própria noite estivesse ciente das intenções de Elara.

Chegando aos seus aposentos, as grandes portas foram fechadas por Benedith com um toque firme e respeitoso. O aposento de Elara era um reflexo de sua própria essência: grandioso, mas reservado, decorado com tons profundos de preto e vermelho, simbolizando tanto poder quanto mistério. As tapeçarias nas paredes, bordadas com símbolos arcanos, pareciam quase pulsar com uma energia própria, como se cada detalhe ali estivesse intencionalmente escolhido para representar quem ela realmente era.

Benedith, que sempre parecia ter algo de importância a relatar, se aproximou de Elara com uma reverência leve, mas carregada de significado. Seus olhos, atentos e frios como os de uma ave de rapina, revelavam que ela trazia notícias frescas. “Minha senhora, tenho atualizações do Amanthyllis e da Academia de Virtudes Nobres.”

Elara, com um gesto suave, convidou-a a continuar. Sentou-se à beira de sua cama, as vestes fluindo ao redor dela como uma cascata de escuridão.

“Amanthyllis avança como planejado,” Benedith começou, “os negócios estão ganhando força, e os rumores já começam a se espalhar sobre a qualidade incomparável dos produtos que estamos introduzindo. No entanto, há algo mais. Os nobres da capital estão começando a comentar sobre a novidade, questionando sua origem e, principalmente, sobre quem está por trás disso.”

Elara não pôde deixar de sorrir levemente. “Perfeito... Quanto mais especularem, mais nossa influência cresce sem que suspeitem de minha verdadeira presença.”

Benedith assentiu e, com uma leve hesitação, prosseguiu. “Quanto à Academia de Virtudes Nobres, mesmo na sua ausência, consegui infiltrar olhos e ouvidos confiáveis. Suas ordens foram cumpridas. Há alguns alunos e funcionários dispostos a fornecer informações valiosas, em troca de favores ou pequenos incentivos. Suas redes estão se formando, e aos poucos, saberemos tudo o que se passa dentro das paredes da academia, sem que você precise estar lá.”

Elara olhou para Benedith com um brilho de aprovação nos olhos. “Excelente. Continue fortalecendo essas conexões. Cada detalhe que obtivermos é uma peça do quebra-cabeça que eu estou montando.”

Benedith fez uma pequena reverência antes de se retirar para organizar as roupas noturnas de Elara, preparando seu vestido de dormir sobre a cama. A serva havia aprendido a se antecipar aos desejos de sua senhora, funcionando como uma verdadeira extensão de suas vontades. Enquanto Benedith a servia, a mente de Elara vagava para algo que havia evitado até aquele momento: a carta de Erion.

A lembrança da carta do herdeiro imperial fez com que uma sensação leve, quase imperceptível, percorresse sua pele. Não era nervosismo, mas um alerta. Sabia que, ao lidar com Erion, estava jogando com fogo — e isso a fascinava. Seu fascínio por ela era evidente, algo que ela poderia usar ao seu favor. Não era atração que a movia, mas uma visão estratégica. Erion poderia ser a chave para um futuro ainda mais grandioso.

Elara decidiu, então, que era hora de responder. Não porque sentia algo por ele, mas porque a resposta seria uma ferramenta crucial. Se jogasse suas cartas corretamente, poderia fortalecer o interesse de Erion e manipulá-lo de uma forma que ele sequer perceberia. Levantando-se, ela caminhou até sua escrivaninha, onde pegou um pergaminho e uma pena delicada. A carta que escreveria precisaria ser precisa, carregada de sentimento, mas com a intenção fria e calculada de um mestre estrategista.

Elara Sulfuric [  O Legado ]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora