20. Aletheia

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⚠️ Contém gatilhos: abusos, acidente, morte.

Para os filósofos Heráclito e Parmênides, aletheia representava mais do que simplesmente 'dizer a verdade'; era sobre permitir que a essência oculta das coisas viesse à luz. Um estado de clareza em que o medo, a negação e a ignorância deixam de obscurecer a realidade. O filósofo alemão Heidegger, reinterpretou aletheia como 'desvelamento', destacando o ato de descobrir o que se esconde por trás das aparências.

 O filósofo alemão Heidegger, reinterpretou aletheia como 'desvelamento', destacando o ato de descobrir o que se esconde por trás das aparências

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— Porra, ela era uma mãe perfeita, doutor. E diante de todas as famílias do mundo, aquela era a que eu escolheria pertencer em qualquer vida.

Confessar isso em voz alta fazia Jimin vacilar. Era a primeira vez que as palavras escapavam, atravessando a barreira de silêncio que ele havia erguido ao longo dos anos.

Admitir dores e sentimentos parecia dar-lhes vida e aquilo os deixavam poderosos demais para controlar. Muito mais fortes que ele.

Por muito tempo, Park havia colocado suas lembranças antes do acidente em um arquivo de memória intocável, uma espécie de criptografia emocional que nem ele mesmo tinha acesso. Todas as recordações felizes que tinha antes de pôr sua vida em risco, era um modo de acarinhar parte da criança que ainda o habitava, se fossem suas últimas horas, era aquela sua visão de paraíso.

Era seu jeito de se proteger.

Não uma proteção externa, mas de si mesmo.

Doeu demais quando tudo aconteceu, e ele soube, com a clareza cruel de quem já perdeu, que reviver aquilo o destruiria. E abdicou da vida, aceitou a morte em um corpo funcional e num coração que batia e não sentia, como modo de existir.

Mas, estando diante de Jungkook, com o coração imprensado na dor de um amor que ele já experimentou, o fez ceder. O arquivo lacrado começou a vazar, gotas de memórias até que a represa finalmente cedeu.

Por mais que Taehyung soubesse do acidente, não sabia dos detalhes. Não tinha nada além de um laudo de depressão, sociopatia, TEPT e outras coleções de CID que o psiquiatra atestava anos atrás.

💎

Jeon não saía da frente do notebook, a visão de sua mãe recebendo a notícia da sua suposta morte por uma equipe de polícia local era transtornante.

O primeiro contato que Jeon Yejin fez foi com Hwasa, uma ligação nervosa, mas a visita inesperada de Namjoon causou um clima desconcertante. Os dois se encarando em olhos que exigiam e omitiam verdades.

Um momento sozinhos enquanto amostras de DNA eram colhidas pela perícia técnica em outro cômodo. O médico implorou ao sagrado que o silêncio permanecesse, mas como esperado, foi confrontado.

— Não dói mesmo em você?

Namjoon respirou fundo se concentrando em não admitir, nem mentir sobre nada, se é que seria possível um equilíbrio entre tal ato.

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