37. Escaton

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— Não me decepcione, nerd

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— Não me decepcione, nerd. Eu já me fodi demais para colecionar mais uma desgraça. Não precisa me contar, só prometa que não vai se colocar em risco. Porque se eu te perder... não vai sobrar pedaço de mim para montar.

Foi o que Jeon escutou quando entrou no quarto. Park parecia esperar por ele, braços cruzados, olhos que decifravam até sua respiração. Encarando numa leitura tática. Uma linha tênue entre limite e confronto.

Jimin tinha observado os passos. Percebeu quando Yoongi aproveitou a oportunidade para falar com Jungkook, sabia que havia algo mais... E se tem uma coisa que ele não tem é paciência para fingir que nada aconteceu.

Jeon abriu a boca, mas verbo algum expressou. Outra tentativa e frustrada. Não mentiria, não negaria. Mas não queria quebrar a confiança de ninguém.

— Desculpa, amor. Ainda tô confuso com tudo isso.

— Sei...

— E não vai acontecer nada comigo, porque eu tenho você. — Falava, se aproximando em busca do abraço que era ponte para si mesmo.

— Tiraram o dia para ser boiola comigo?

— Quem?

— Você e a Barbie.

— Ele não pediu o divórcio mais cedo?

— É... Mas já me mamou de novo.

Jungkook sorriu para a expressão dura, mas os olhos não negavam o quanto Park amolecia com qualquer sentimento real traduzido, um afeto sincero... Deixou um selar e saiu do elo. Jimin se jogou na cama, o celular aberto na adaptação da iClick voltou a ter sua atenção.

— Tudo bem, doutor. Relaxe. Bora fingir que a paz existe.

Jeon assentiu, mas ficou alguns minutos trancado no banheiro analisando o próprio reflexo no espelho. Quem culparia pelo sonho com Urano que teve meses antes? A hipertimésia e a capacidade intelectual aflorada equilibravam na balança bênção e maldição.

Um banho.

A água quente escorria pela pele, enquanto o sistema parassimpático reassumia o controle. O corpo desacelerava, o cortisol recuava, os músculos cediam como estruturas sob derretimento gradual. Era bioquímica pura, e ele adorava saber disso. A água ativava sensores táteis que informavam ao cérebro: você está seguro. E por isso, relaxava.

A ciência era sua fé, e aquele banho uma prece.

Saiu enrolado na toalha, encontrando seu par ainda acordado.

— Puta que pariu, nerd!

— O que eu fiz?

Jimin olhava como se fosse óbvio. — Nasceu, porra! Gostoso pra caralho. Veste uma roupa pra eu não fazer você precisar de outro banho. Que inferno!

Diamond MindOnde histórias criam vida. Descubra agora