36. Urano

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O tempo parecia ser conivente com o ritmo desacelerado para não atrapalhar o descanso de quem merecia

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O tempo parecia ser conivente com o ritmo desacelerado para não atrapalhar o descanso de quem merecia. Ainda havia sono nos olhos, mas o espaço vazio na cama fez o atirador se remexer.

Não estava exatamente sozinho, a companhia tinha pelos, patas e um ronco suave. O toque fez o animal despertar. E ver Jimin fez o rabo abanar antes mesmo de levantar para deixar aquelas lambidas afetuosas.

— Ei, carinha, cadê o seu pai? Como ele ousa deixar a gente sozinho nessa cama? Bora lá, vamos explodir ele...

Alguns minutos no banheiro e... tinha companhia por ali também? Não existia limite ou privacidade para quem é adotado por um pet. Aceitou a situação.

Já estava pronto para encontrar quem havia sugado sua alma na noite anterior e, ainda assim, deixado nela mais vida do que antes.

Jungkook sorriu só de ouvir os passos na escada. Bam o alcançou primeiro, recebendo um carinho e um petisco. A energia do lugar era outra. O universo parecia se alinhar só para eles.

De regata, cabelo bagunçado, cara de sono e aquela maldita luz nos olhos, seu amor inteiro. Ficou quieto, observando. Gravando mais uma vez, a imagem de quem nunca seria só mais um. Aquela beleza crua a quem chamava de lar. Park se aproximou com passos preguiçosos, a voz rouca arranhando o tempo e os seus sentidos.

A cintura de Jeon foi envolvida, os braços responderam enlaçando o pescoço, e o mundo estava inteiro por um instante. O abraço afrouxou para que as bocas se encontrassem, não era só um bom dia. Era a prova de que ambos estavam ali, juntos. E isso bastava para fazer Jungkook sorrir no meio do toque.

Sorria porque era sublime assistir ao homem que antes achava estranho, um beijo matinal, um carinho sem hora, um amor feito sem pressa, buscar por ele. Mais do que aprender a lidar com Jeon, Jimin aprendia a lidar com as próprias emoções. Naturalmente.

Para quem oscilava entre fuga e domínio, aceitar ser amado sem se defender, era revolucionário.

Não era sobre mudar. Era sobre expandir.

Ser a pessoa a testemunhar essa expansão era mais íntimo que qualquer ato físico. Porque entendia que aquela relação não lapidava Jimin para encaixar em um molde, mas o tornava melhor para ele mesmo.

O relacionamento não o moldava... o libertava, sem perder sua natureza. E o orgulho não cabia no peito do físico.

Encarar Jimin era com observar Urano: É preciso aceitar que ele gira de lado, desafiando a lógica dos outros planetas, contrariando o previsível e mesmo assim continua sendo inteiro, único, irrefreável, impossível de não admirar. Porque onde tudo parece explosivo, insano e fora do eixo, é que chove diamante.

— Bom dia, amor.

— Bom dia, nerd. Por que levantou tão cedo? — Segurou o queixo, deixando um último selar antes de ceder à cafeteira.

Diamond MindOnde histórias criam vida. Descubra agora