42. Expurgo

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O asfalto se dissolvia em terra batida, a poeira engolia Jimin, consequência da velocidade sempre acima do permitido, se apegou ao que foi instruído a fazer: recolher as coisas de Yoongi descartadas na estrada

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O asfalto se dissolvia em terra batida, a poeira engolia Jimin, consequência da velocidade sempre acima do permitido, se apegou ao que foi instruído a fazer: recolher as coisas de Yoongi descartadas na estrada. A Ísis dava a localização e foi sem erro, para o meio do nada.

Recolheu um a um o que sobrava do cara que dividia a vida com ele. Tênis largados, o casaco, o relógio que não marcava mais o tempo. Objetos espalhados como se o seu amigo fosse apenas um arquivo arrastado para uma lixeira permanente.

— Porra, gângster! Porra!

Até o oxigênio doía. O coração latejava na garganta. E para quem colecionava tragédias, era difícil acreditar em milagres. Especialmente com o vazio do mais concreto nada.

Ainda assim, enfiou todas as peças na mochila e se não havia esperança de novidade, então que fosse pela raiva, lutaria até o último fio de cabelo para arrancar o gângster do inferno, nem que precisasse incendiar o planeta inteiro.

Quando chegou ao Zéfir, jogou os pertences sobre a mesa em frente a Jungkook. O olhar quebrado dispensava palavras.

Foi Hoseok quem tomou a iniciativa, começando a remexer com olhar treinado, farejando rastros como um animal. Yoongi era inteligente e se pudesse deixar algo mais que um bilhete dentro de uma caixa de remédio, ele faria. A sobrancelha arqueada denunciou algo errado.

— As lentes não estão aqui. — Atraindo todos os olhares para si.

Jimin ergueu o rosto num sobressalto. — Como é que é?

— Eu tenho certeza. Antes de sair, ele me disse que estaria com a Ísis.

Se Yoongi carregava as lentes, então carregava também um fragmento da inteligência artificial que ele mesmo havia criado. E isso não era só esperança, era uma linha de código vivo, ainda ligada a eles, em algum lugar.

— Ísis?

As lentes são habilitadas e desabilitadas pelo usuário, gênio.

— Vamos forçar conexão, Ísis, deve haver alguma brecha no sistema. — Havia até uma motivação suave na fala do físico. Todos encarando a tela esperando algum sinal.

O holograma aceso cruzando códigos em cascata. A IA disparava tentativas em diferentes frequências, modulando sinais, abrindo portas que nem deveriam existir. O esforço dela era insistente, exaustivo, rompia a própria limitação.

O campo é altamente bloqueado, vou tentar restabelecer conexão direta. — Havia um delay incomum na voz, até a inteligência reconhecia o fragmento do impossível. — Iniciando varredura.

Os olhos acompanharam o holograma que piscava em vermelho: acesso negado. Outra tentativa. Outro bloqueio. O campo do CODI era absoluto.

Jimin chutou a cadeira, dispersando a frustração. — Merda! Então é isso? Ele tá preso lá dentro e a gente não pode nem ver se o cara tá respirando?

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