39. Ecdise

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A sala da IA parecia imantada

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A sala da IA parecia imantada. Apesar de não haver fumaça, nem tiros, nem o calor do confronto. Algo lembrava um campo de batalha.

Yoongi observava os códigos desfilando refletindo a própria mente: acelerada, complexa, tentando manter o controle mesmo depois de ter vencido.

Mas vencer... não era o mesmo que descansar.

Ísis estava muda, era presença em campo estático. Com a tranquilidade tipicamente tecnológica.

O médico observava na tela múltiplos campos: Hwasa no gabinete tentando manter a calma apertando um copo de café; O carro se deslocando para o Zefir e a batida policial tendo seu fim. Observou o amigo com um cuidado quase que filosoficamente sagrado.

— Vem. Vamos sair dessa sala. Já, já, o barulho toma conta desse apartamento. É melhor que a gente abra as janelas para os novos ventos entrarem.

O hacker obedeceu por osmose. Na sala, sentado, recebeu a dose do seu whisky preferido.

— Quer conversar enquanto ainda há silêncio suficiente para isso?

Min parecia esperar por um convite — Eu não criei uma máquina para matar, Nam. Eu criei para proteger, a mim e aos meus. Para nos deixar ricos e blindados. Era isso. Se alguém tinha que fazer o trabalho sujo, esse alguém não era a Ísis.

— Tá preocupado com o que ela fez ou com a tomada de decisão dela?

— Tô preocupado que ela replique isso com quem não deva. O Brut ia se foder de qualquer jeito, o marginal ia mandar ele para o inferno, mas e se ela achar que deve fazer com o Tae, com o Jimin?

— Entendo... Você deu os recursos e ela aprendeu a lógica. Mas você pode reprogramá-la. Não pode?

O hacker fechou os olhos. Tomou a dose em um único gole. — Eu errei feio no passado, Nam, por isso passei anos tentando definir limites, planejando, impedindo falhas. Era divertido ser o dono do game, mas agora eu sou o jogo e a Ísis o controle.

— Não sei se você vai conseguir pensar numa solução agora, mas sei que consegue. Você mostrou ao mundo que pode lidar com coisas que ninguém sonha existir. Aproveite esse tempo, comemore, Yoon. Acabou, os Storms foram deletados, nós estamos livre. Você saberá lidar com novos códigos geniais.

Tentava trazer a realidade com o máximo de otimismo

— Talvez eu não tenha mais esse tempo, Nam. — Serviu outra dose e engoliu como a primeira.

A conversa se estenderia e o brilho nos olhos do hacker era diferente. Parecia que o propósito havia findado em alguma lacuna que Kim não reconhecia e aquele poderia ser o único capaz de ouvir e entender sem um julgamento ou proteção exagerada. Mas o elevador abriu na sala, com vozes altas que mais pareciam briga generalizada, mas eram só a sua família sendo... sua família.

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