29. Singularidade

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É o núcleo de um buraco negro, onde todas as leis conhecidas da física entram em colapso. Nada pode existir ali sem ser destruído ou transformado.

A sala, impecavelmente iluminada, abrigava uma mesa retangular onde se reuniam cinco senhores engravatados: representantes do alto escalão federal, do judiciário e da segurança nacional

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A sala, impecavelmente iluminada, abrigava uma mesa retangular onde se reuniam cinco senhores engravatados: representantes do alto escalão federal, do judiciário e da segurança nacional. Se somássemos os salários de todos ali, conseguiríamos financiar um ego de proporções absurdas, capaz de rivalizar com os dos mais fanáticos partidários republicanos americanos.

Sentado do lado oposto, Kim Seokjin. Confiança transparente. Solidão silenciosa. Diante dele, a janela emoldurava a paisagem urbana: prédios cinzentos aquecidos na fria monotonia, a única decoração melancólica que despertava seus olhos.

O superintendente federal e líder da banca iniciou a sessão — Kim Seokjin, como se declara?

A pergunta inusitada o surpreendeu. A entrevista havia migrado para um julgamento? — Isso é uma audiência?

— Limite suas respostas, Sr. Kim.

— Com absoluto respeito, senhor, não posso considerar nenhuma alternativa diante do que... simplesmente não faço ideia.

Um promotor público que compunha o quadro tomou a palavra, colocando uma dose sutil de equilíbrio à formalidade.

— Policial Kim, esta é uma entrevista de cortesia. Estou aqui para assegurar que seus direitos sejam zelados. — Folheou as páginas do material que tinha em mãos, confirmando o que seguiria — Há acusações de desvio de verba pública e suborno por parte de um grupo de ilegais que atua no cibercrime.

O detalhe pegou Jin de surpresa, um nó se formou na garganta. Sua expressão permaneceu inalterada, mas tendeu a lamentar pelo que ouvia. Era bom com jogos, mas não era o Hoseok e não era o Taehyung.

O promotor continuou, e o seu olhar para a câmera que registrava a cena só deu ao entrevistado a certeza de que até o lado correto da dinâmica seria manipulável — Se precisar, o sindicato poderá fornecer um advogado para assegurar sua resposta. Deseja adiar essa entrevista?

Resposta rápida e sincera — Não. Desejo prosseguir e findar esse inconveniente — uma pausa para um questionamento pertinente. — Qual grupo está me acusando de contribuir?

O comandante da investigação dos federais respondeu, sem ao menos olhar para o papel — Os Storms.

— Os Storms? — Incrédulo. Poderia até disfarçar o tom, mas a descrença na expressão não tinha máscara. — Eu estou há meses tentando dar um rosto a esse grupo. Os senhores não percebem o quanto isso é manipulável e ilusório?

Kim mantinha um tom forçadamente educado, escolhendo as palavras com cautela. Mas o desconforto era evidente, como um veredito já selado. Não havia espaço para defesa, nem para um julgamento justo. A estrutura daquela entrevista, se é que poderia chamá-la assim, não lhe oferecia margem para se sentir algo além de condenado antes mesmo de ser ouvido.

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