44. Infinito Numerável II

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Hyejin entrou com a mesma tranquilidade de sempre. Sentou onde foi direcionada e fez o juramento obrigatório.

A interrogação no rosto da juíza, uma mulher de meia-idade, era notória e foi dela que partiu a primeira pergunta.

— Pode explicar qual é a sua relação com Min Yoongi?

Ela sorriu mais, tirou os olhos da juíza para o réu.

— Posso, Excelência, desde quando ele disse o primeiro "Feliz Natal, mamãe"

Fechou os olhos com força, um mal-estar repentino. A frase funcionou como uma senha, as luzes das suas lentes começaram a acender na visão e, de repente, ela estava diante de uma tecnologia da qual não sabia a existência.

O celular dela na mão de Jungkook iluminou, um código começou a rodar sem comando. O segredo estava ali.

Dessa vez, as lágrimas de Yoongi desceram, as lentes que Hwasa conseguiu fazer chegar até ele replicavam a mesma visão de Hyejin. A mensagem que apareceu para ele, a mais clichê, que ele adorava ouvir quando sua vida era mais vazia:

"Olá, Suga. É um ótimo dia para ser útil"

E tudo que Hyejin fez foi narrar toda a infância de Yoongi, do jeito que a Ísis a havia treinado após o dia que se apresentou:

Hyejin começou...

— Ele sempre foi mais quieto que Jungkook, mas tão inteligente quanto. Quando chegou na minha casa, estava tão magrinho.

As letras vermelhas ditavam suas reações: sorria e faça uma pausa de dois segundos. Respire fundo.

Em azul, o texto era lido.

— Era sobrinho do meu marido, o pai biológico dele havia falecido logo depois do aniversário de um ano de Yoongi.

Olhe para ele e incline levemente a cabeça para a direita.

— Desde então, a mãe dele sofreu muito e acabou cometendo suicídio por conta de uma depressão profunda... e ele nasceu de mim desde então. Os olhinhos miúdos, algumas marcas na pele e traumas colecionáveis.

Retire a polaroide do bolso do casaco e ofereça à juíza.

— A senhora é mãe, Excelência? Conseguiria dizer não a um serzinho fofo desses?

Aquilo era um show de manipulação e estratégia. E a representante da Lei, comovida, recebeu a imagem. Uma polaroide com Hyejin, o marido e Yoongi, datada de janeiro de 96.

— Demorou para que ele voltasse a falar e confiar nas pessoas, mas naquele Natal, ele tirou uma rosa vermelha, um girassol do nosso jardim e me chamou de mãe pela primeira vez.

Suspire. Ofereça a pasta.

Um catálogo inteiro com fotos de família, Yoongi com uma criança saudável, sorrindo para as lentes, imagens com uniforme da escola, pinturas, desenhos, boletins, cartão de vacina.

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