43. Infinito Numerável I

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— Todos de pé.

O tribunal estava diante do caso mais famoso daquele ano: o Estado contra o hacker.

Min Yoongi, o famoso Suga, o cara que não entendia por qual milagre ainda estava vivo, já que passaria o resto dos dias trancafiado em portões que ele jamais escolheria como lar.

A vida é mesmo engraçada. E inútil.

Logo ao entrar, desviou o olhar da primeira fileira, onde Taehyung e Seokjin estavam sentados.

Jornalistas e influenciadores se amontoavam em busca da melhor manchete, abutres modernos que viam muito mais status e curtidas em massacrar do que defender.

Sem a Ísis, burlar seguranças, remendar falhas, apagar rastros ou virar o algoritmo a favor da própria pele se tornou quase impossível.

E não foi por falta de tentativa.

Sozinhos, Tae e Jin tentavam manter as hashtags vivas, os discursos sustentados, o painel favorável... mas aos poucos os números foram caindo, novas desgraças serviram de palco para espectadores exigentes de uma realidade cruel e normativa.

No fim, eram eles por eles mesmos.

— Min Yoongi, consta que o senhor recusou advogado, procede?

— Sim, Excelência.

Senhoras e senhores, que comece o espetáculo!

💎

ROTAÇÕES ANTERIORES

30 Dias Antes

— Conseguiu?

— É a quinta vez em menos de duas horas que você pergunta o mesmo, amor. Não. — suspirou. — Não consegui, tô muito frustrado por não ter aprendido sobre a Ísis o suficiente para poder replicá-la e tirar o Yoongi de trás das grades e desculpa, mas você perguntando não facilita.

— Foi mal, nerd. Eu tô ansioso...encaralhado... putamente encaralhado... sei lá que diabos é que eu tô. Não entendo nem o que eu tô pensando.

Apoiou as mãos na bancada do celeiro, que servia novamente como espécie de laboratório improvisado. Respirou profundamente, cabeça baixa, a exaustão ganhando forma nas olheiras gritantes, na pálpebra que se movimentava involuntária e excessivamente. No corpo estático que parecia esconder um terremoto interno. A cabeça latejava, a garganta seca; já nem lembrava a última vez que bebeu água.

Jungkook o observava e não estava melhor. Sentia a responsabilidade da própria ciência nas costas. Era o único com intelecto para tentar reverter o apagamento da Ísis do mundo ou recriar algo similar ao que ela representou.

O último feixe de luz do espectro de diamantes.

Totalmente falho.

O ronco da moto anunciava que Hoseok havia chegado. E aquela fagulha de esperança, sempre que se encaravam, deixava uma expectativa agridoce.

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