33. Liminaridade

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— Oi, nerd

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Oi, nerd.

Jungkook foi congelado. A sensação de que o universo tinha o engolido e cuspido para fora da órbita.

Por uma fração de segundo, o tempo distorceu. A racionalidade, treinada a buscar explicação plausível, falhou. Mas a realidade parecia uma simulação de desejos de dias atrás e o contrário do que queria racionalmente sentir. O corpo já havia reagido antes da mente calcular: pupilas dilatadas, aumento de noradrenalina, microtremores nos dedos. Sintomas exatos de uma descarga adrenérgica.

Piscou devagar, inspirou... tudo era tão lento, simulado... tinha a impressão de que poderia desmoronar para fora da lógica.

Era mesmo ele... capacete na mão, cabelo bagunçado e aquele olhar íntimo e imperdoável. No canto dos lábios fartos surgiu um sorriso absurdamente discreto, disfarçou, virando o rosto, colocando o capacete sobre um móvel qualquer.

É que as emoções não mentem, e Jungkook sempre foi muito transparente, a menor das mentiras era um problema.

Jeon bufou, voltou o olhar para o diamante e a tela da Ísis ainda estava em uma completa e escrita "pausa". Não havia como recorrer a ela.

Park deu o primeiro passo em direção ao físico, mais um e mais outro, cauteloso como quem valseia em um campo minado, mas na curta distância que ainda estavam, Jeon levantou a palma na direção dele, um pedido mudo para que interrompesse seu trajeto.

— Meu nome é Jungkook, Park. Não me chama de nerd.

O atirador tentou esconder o riso, diante de tanta coisa a ser dita, em momentos de grande pressão, Jeon sempre acabava optando pelo menos sensato. Aquilo era uma identidade e uma confirmação de que estava abalado.

O atirador parou com as mãos apoiadas na cintura, encarando — Tudo bem. Nerd.

Jungkook estreitou os olhos, descrente e em dúvida se aquilo era uma piada ou um confronto, mas diante do lógico, nenhuma das duas opções encaixava na mecânica do momento. — Achei que tinha se aposentado junto às promessas que não cumpre.

O atirador não deu resposta, foi uma dose mais amarga de degustar, precisava admitir, deixou escapar um sorriso sem graça.

E o físico continuou com a descarga emocional que fazia seu corpo entrar em colapso. Fugiu do mineral para encarar aqueles olhos opacos, mais raros que qualquer diamante legítimo, mais duros que a culpa e mais lapidados que sua própria ciência. — Ou veio terminar o que começou?

— Vim por você. — mais um passo à frente

— Se fosse por mim, você nem teria ido. Então, você veio pelo prazer do combate, pelo desfecho da missão. Me desmontar é só um bônus.

Mas confrontar era um dom, ignorou o pedido, diminuiu ainda mais a distância e buscou os olhos do seu par. — Se você quiser que eu vá embora, eu vou. — Existia uma serenidade no tom, aquele lugar onde o arrependimento habita.

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