21. Simbiose

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Mais alto que os pensamentos de Jeon, era o som da respiração ritmada de Park, pesada como um descanso merecido após uma imensa e desgastante maratona

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Mais alto que os pensamentos de Jeon, era o som da respiração ritmada de Park, pesada como um descanso merecido após uma imensa e desgastante maratona. Um sono profundo como uma criança de nove anos que após um pesadelo ainda tinha a quem recorrer... ainda tinha a quem amar e confiar. Ainda tinha alguém...

Desde que apagou, o físico o contemplava. Reflexivo.

Agora mais do que nunca.

Acariciava os fios negros alongados, achava fofo e tentador o desenho que os lábios entreabertos faziam enquanto o rosto descansava em seu peito. A mão pequena sobre o corpo, aquela posição que parecia o prender, parecia ter medo de que ele fosse a algum lugar.

Jeon não havia dormido, ainda que a dor de cabeça implorasse para que ele fizesse, não conseguiu. Mesmo que quisesse, a confissão de Park o lembraria sempre da sensação que causou. Um dia só, e foi o suficiente para absorver as tragédias do seu par e o rosto de sua mãe ao receber a notícia sobre a sua suposta morte. Por mais que agora visse a situação como um problema, apesar de sério, temporário e transitório, queria que fosse um dilema solucionado.

Mas estava grato, porque cuidar de Jimin era um ato natural e automático, mesmo algumas vezes indo de encontro às suas filosofias, estava grato por explorar seu melhor. Jimin ensinava sem lecionar, que o amor era uma dose diária de importância mútua, multifacetado e na mesma relação havia infinitas linguagens para demonstrar o quanto o elo era real, singular e necessário.

Park em pouco tempo havia te dado a sua paixão mais avassaladora, seus sentimentos mais intensos, sua confiança inquebrável, a conexão mais profunda e os melhores orgasmos da sua vida.

E retribuir nem era escolha, era um condicionamento involuntário.

Fazia porque queria. Estava porque gostava.

E talvez, pela primeira vez, passou a sonhar o mesmo sonho.

Foi Felix que contou enquanto estavam juntos que, uma vez questionado, o atirador admitiu que queria passar sua vida milionária com uma identidade real, numa casa com quintal grande e cachorro latindo... ele queria algo que nem precisava de diamantes para realizar.

E Jungkook só precisava dele para ser realidade...

Riu com a possibilidade dele conhecer sua mãe. Como se portaria? Hyejin sempre tão atenciosa com seus amigos, como seria se o apresentasse? "Mãe, esse idiota é Park Jimin, o amor da minha vida..."

Devaneava... os pensamentos que destoavam a realidade.

Como se escrevesse o próprio romance. Autobiográfico.

Em dias onde a leitura era refúgio e outros eram resgate... Aquele show de escrita imaginária parecia unificar os dois.

A intercessão entre projeção e concreticidade.

Park começou a se movimentar e abrir os olhos devagar. Encarou Jeon com a expressão sonolenta.

— Não dormiu, nerd?

Diamond MindOnde histórias criam vida. Descubra agora