A paixão pela ciência levou Jeon Jungkook a criar diamantes perfeitos, mas a descoberta o tornou vilão da própria história. Sequestrado e com a mente à venda, ele se alia aos criminosos controladores da Isis, a IA mais avançada do planeta. Nesse cen...
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Sabe quando a poeira começa a pairar depois de uma explosão? Era desse jeito que Jungkook desfrutava o silêncio ao encarar a mesa, o bilhete dobrado na mão, a bala reluzindo como o selo de uma promessa invertida.
O peito doía com a emoção refletida no sintoma físico. Como se cada célula estivesse vibrando na frequência errada, desalinhadas, prestes a se despedaçar.
Pressão.
Sabia que o amor e os diamantes tinham algo em comum: ambos precisavam de tempo e força para se tornarem inquebráveis. O carbono, no ambiente certo, sob uma compressão absurda, se reorganizava em uma estrutura perfeita, lapidada pelo próprio peso que o esmagava.
Jimin tinha sido esse peso.
Era o que moldava, que testava os limites, que levava tudo ao extremo. Jungkook não se importava em suportar isso, não se importava de ser comprimido porque o resultado valia a pena. Se resistisse suficiente, como o carbono, valiosamente se eternizaria.
Mas o grafite também é composto pela mesma substância, porém, instável, quebradiço, se desfazendo ao menor atrito. Um material que, por mais que fosse usado para marcar, para escrever sua história, e deixar um bilhete dizendo que o amava e cuidaria dele, nunca teria a dureza necessária para permanecer.
Assim como o carbono queimava antes de se transformar, a ausência deixava o peito em chamas. Alimentado na combustão das promessas que agora estavam resumidas a um pedaço de papel.
E assim como a Segunda Lei da Termodinâmica, o amor verdadeiro é uma reação irreversível.
Entrou no chalé e o olhar de Yoongi ainda era o mesmo: pena. O hacker sabia reconhecer um sistema complexo. E não havia nada mais complicado que o caos de um ser humano tentando entender outro ser humano. Jungkook mal piscava. O bilhete amassado entre os dedos, a bala gelada na mão.
— Encontra ele pra mim. — Uma ordem ou uma súplica. — Ele não deve estar longe. Se eu souber a hora exata que saiu, o veículo que usou, posso calcular um raio de quilômetros.
Pegou o celular, já destravando a tela, digitando números, rabiscando possibilidades como se fosse resolver uma equação complexa. — Se o combustível estava cheio, se parou em algum lugar... Eu consigo saber a direção provável.
Yoongi ainda sustentava a expressão que compreendia o que é se sentir abandonado. — Aquele marginal não é fácil de achar nem quando não quer se esconder, doutor.
— Mas ele não está se escondendo. — Jungkook ergueu os olhos — Ele só está indo. Olha a mensagem que ele deixou... — Mostrava o papel.
"Eu vou cuidar de você até que esteja livre"
— Isso parece alguém que quer ir embora?
O programador respondeu de imediato. — Eu não sei o que é pior, Jungkook.