45. Epílogo: Consonância

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— Bam, vem aqui, garoto, — o barulhinho das unhas marchando no piso anunciava a aproximação — vamos assistir seu pai arrumar essa mala pela milésima vez, enquanto fazemos vários nadas nesse colchão maravilhoso

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— Bam, vem aqui, garoto, — o barulhinho das unhas marchando no piso anunciava a aproximação — vamos assistir seu pai arrumar essa mala pela milésima vez, enquanto fazemos vários nadas nesse colchão maravilhoso.

Park se jogou na cama, enquanto o cachorro deixava algumas lambidas em seu rosto, até que encontrou uma posição confortável ao lado do seu humano favorito.

Menos de cinco minutos depois, Jungkook adentrou o espaço, mirando a dupla na cama e se sentindo julgado pelos dois pares de olhos que o seguiam em direção ao alvo.

Jimin prendeu um riso, entendia que o tatuado estava ansioso pela primeira viagem juntos, após um ano de muitos acontecimentos.

Jeon aprendeu muita coisa nesse período, uma delas é que estados emocionais poderiam ser descritos como sistemas instáveis, sujeitos a ruído, variáveis externas ou colapsos inesperados. Ainda assim, diante de uma mala aberta no chão, observava dois universos particulares, o seu e o de Jimin, ocupando o mesmo espaço físico sem conflito aparente.

Convivência e convergência: um raro caso em que as equações não exigiam correções constantes.

Percebeu que a felicidade não se manifestava apenas como um pico diante de um fato, poderia ser a admiração de uma função contínua. Como aqueles dois corações sobre a cama. Anunciadas numa plenitude sem alarde, quase imperceptível, sustentada por ações triviais: escolher um destino sem mapear riscos, perder tempo deliberadamente, errar caminhos sem acionar protocolos mentais. Pela primeira vez, não sentia a necessidade de otimizar a experiência. Estava disposto a deixá-la acontecer, mesmo sabendo que todo sistema, por definição, é finito.

Durante os últimos meses, viveu entre estruturas cristalinas, tensões controladas e processos de lapidação que exigiam precisão singular.

Deu ao mundo algo que ninguém antes havia conseguido. Criar diamantes era um exercício de domínio, submeter o carbono à pressão exata, impor tempo, calcular falhas microscópicas, errar, acertar, refazer, garantir, otimizar e repetir o ciclo. O brilho final era resultado do encanto intelectual. Algo que definitivamente existia porque ele havia previsto todas as variáveis relevantes. E óbvio, porque ele tinha a Ísis.

Precisou sentir medo, morrer e renascer inúmeras vezes. Não teria como romantizar o processo, tudo deu certo como poderia ter dado, mas se pudesse escrever o cenário, teria criado um roteiro diferente.

E longe do experimento da fenda dupla, aquele futuro não alterava o passado, então parou de pensar no que viveu como tormento, respeitando as cicatrizes sem se tornar refém dos traumas e seguia em frente de uma maneira mais realista sem abdicar da própria essência humanamente boa.

Até o seu emocional havia se tornado mais nerd.

Mesmo assim, em alguns momentos, havia algo profundamente desconcertante em viver sem antecipar um cenário ruim. Seu cérebro se habituou a se defender, identificando por osmose padrões de ameaça. Porém, recalibrava os próprios parâmetros. O estado de alerta diminuía, reduzindo o ganho de um sinal excessivamente amplificado por meses. Era confiança, uma variável que a sua ciência raramente inseria em qualquer modelo.

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