Lunna é uma mulher bem resolvida em todos os aspectos, principalmente sexual. Embora seja extremamente livre, se vê presa pelos fantasmas do passado.
Sua mãe morreu quando ainda era criança, o pai não chegou a conhecer. Foi criada pela tia que a tr...
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LUNNA JOHNSON
A brisa gelada e salgada beija o meu rosto. Respiro o mais fundo que consigo, tomando coragem para abrir os meus olhos e confirmar, estou de volta ao meu pesadelo. Literalmente.
Esses dias que dormi na Luisa, os sonhos não estavam mais vindo, achei que tinha parado. Minha amiga funcionou como um filtro dos sonhos, seu abraço me protegia dos perigos lá fora. Agora que voltei para a casa de Amanda, na primeira noite esse terror retornou.
Sinto a mão no meu tornozelo, puxando-me para baixo. Uso o outro pé, tentando chutar a mão. O meu corpo se afunda, olho para baixo e a água escura inibe tudo. Ainda assim, dessa vez não paro de lutar, chutando com toda força que consigo.
Para a minha surpresa, o peso se alivia e sinto o meu tornozelo livre Nado para cima, puxando todo ar que consigo quando volto à superfície. Meus pulmões agradecem pelo ar e pareço uma viciada que ficou há dias em abstinência e agora que conseguiu novamente, está se maravilhando o máximo possível.
Sinto o aperto voltar e continuo lutando, dessa vez ganhei e não afundei... foi ai que tudo mudou, pela primeira vez eu vi quem me puxa para baixo.
Como não consegui me puxar pelo tornozelo, a pessoa se levanta, segurando no meu ombro e tentando me puxar para baixo. A pessoa é ninguém menos do que eu mesma, ou melhor, quem eu costumava ser.
_ AHH!-Soltei um grito desesperada, nem um pouco pronta para ver aquilo.
_ Lunna.- Bem distante de mim, escuto a voz de Christian soa bem distante.
O seu chamado se intensifica cada vez mais, com ele se tornando mais alto. Começo a sentir o meu corpo sendo mexido...
_ AH.- Solto um grito ainda mais alto, voltando para a vida.
_ Querida.- Christian pergunta sentado do lado direito da cama.
_ O que houve?- Amanda pergunta do lado oposto.
Não consigo falar nada, só sinto todo o meu corpo tremer e o suor descer pelo meu rosto. Não consigo formular uma palavra que seja, as palavras sumiram, não tenho a menor capacidade de raciocinar.
Na minha mente só me vêem o olhar que recebi naquele pesadelo, um olhar que consigo ler, porque é o meu olhar.
Embora parece determinado, sexy e sem medo nenhum, esconde medos, dores e cicatrizes tão profundas que nem eu consigo ter dimensão.
Christian se levanta, sai do quarto e retorna alguns minutos depois com um copo de água. Se senta no local que estava, dessa vez bem mais próximo. Ele apoia o copo na mesa de cabeceira, me coloca sentada com as costas apoiada na cabeceira e tenta colocar o copo na minha mão, mas percebe que eu não tenho nenhuma reação, por isso me ajuda a tomar o líquido bem devagar.