CAPÍTULO VINTE: Crise de ansiedade.

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LUNNA JOHSON

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LUNNA JOHSON

Estico a minha mão, pegando o controle da cortina na mesinha de cabeceira. Aperto no botão e a cortina vai todo para o lado direito, aperto outro e as persianas se levantam.

A luz do dia clareia todo o meu quarto. Permito-me encarar o céu, vendo que este está no seu azul mais perfeito, sem nenhuma nuvem e muito menos sinal de chuva.

O quarto, que a tanto tempo não recebe nenhuma luz, parece se iluminar. Nesses últimos dias tenho ficado com a cortina apenas fechada, deixando tudo o mais escuro sombrio. Acho que, no fundo, era para combinar com o que estava sentindo.

Passei a noite toda pensando na minha conversa com o pequeno Nick, em todas as coisas que ele me ensinou com a sua pouca idade. No final, quando fomos nos despedir e ele descobriu que eu poderia voltar a andar de me dedicasse, ele me deu uma missão "volta a correr por mim e por todos aqueles que realmente não podem".

Acho que a fala do pequeno virou uma chave no meu cérebro. Infelizmente vim parar nessa cadeira e isso é algo que não estava no controle de ninguém, infelizmente acidentes acontecem. Mas sou eu quem estou decidindo permanecer com esse meu comportamento.

Eu posso voltar a andar, voltar a ser a mulher que fui um dia. Posso continuar sendo odiada pelas pessoas ao meu redor, mas ao menos estarei andando, vivendo a minha vida e quem sabe seguindo o conselho da minha psicóloga; aprender a amar minha própria companhia.

Esse mês me fez parar para pensar, afinal não tinha mais nada para fazer. Simplesmente não podia me levantar, me arrumar e ir curtir uma balada, sabendo que terminaria na cama com algum desconhecido.

Meus afazeres se foram e só me restou a minha própria companhia. Foi nisso que descobri algo doloroso, mas necessário; eu não gosto da minha própria companhia.

_ Bom dia.- Amanda, com o seu bom humor, invade o meu quarto com um sorriso.- Já acordada?

Concordei com a cabeça.

Hoje acordei decidida, vou voltar a andar. Se não posso morrer, então irei viver.

_ Me ajuda a levantar?- Cruzo meus dedos em cima do meu colo, encantando eles sem a menor coragem de olhar nos olhos de Amanda.

De primeira me preparo para uma recusa ou um fora, mas ele não vem. Normalmente quem me tira da cama é Christian.

_ Claro.- Responde de imediato.

Puxo a coberta, tirando do meu colo. Apoia as mãos no colchão, ergo o meu corpo e levo o quadril para o lado. Fico na ponta da cama. Amanda para na minha frente, se abaixa um pouco e eu abraço a sua nuca e sentir o cheiro forte de seu perfume é quase impossível.

Um cheiro forte, mas doce ao mesmo tempo. Não exageradamente, um meio termo entre o doce e o amadeirado. Nunca tinha sentido o cheiro antes, mas é muito gostoso. Marcante.

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