Lunna é uma mulher bem resolvida em todos os aspectos, principalmente sexual. Embora seja extremamente livre, se vê presa pelos fantasmas do passado.
Sua mãe morreu quando ainda era criança, o pai não chegou a conhecer. Foi criada pela tia que a tr...
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LUNNA JOHSON
Estico a minha mão, pegando o controle da cortina na mesinha de cabeceira. Aperto no botão e a cortina vai todo para o lado direito, aperto outro e as persianas se levantam.
A luz do dia clareia todo o meu quarto. Permito-me encarar o céu, vendo que este está no seu azul mais perfeito, sem nenhuma nuvem e muito menos sinal de chuva.
O quarto, que a tanto tempo não recebe nenhuma luz, parece se iluminar. Nesses últimos dias tenho ficado com a cortina apenas fechada, deixando tudo o mais escuro sombrio. Acho que, no fundo, era para combinar com o que estava sentindo.
Passei a noite toda pensando na minha conversa com o pequeno Nick, em todas as coisas que ele me ensinou com a sua pouca idade. No final, quando fomos nos despedir e ele descobriu que eu poderia voltar a andar de me dedicasse, ele me deu uma missão "volta a correr por mim e por todos aqueles que realmente não podem".
Acho que a fala do pequeno virou uma chave no meu cérebro. Infelizmente vim parar nessa cadeira e isso é algo que não estava no controle de ninguém, infelizmente acidentes acontecem. Mas sou eu quem estou decidindo permanecer com esse meu comportamento.
Eu posso voltar a andar, voltar a ser a mulher que fui um dia. Posso continuar sendo odiada pelas pessoas ao meu redor, mas ao menos estarei andando, vivendo a minha vida e quem sabe seguindo o conselho da minha psicóloga; aprender a amar minha própria companhia.
Esse mês me fez parar para pensar, afinal não tinha mais nada para fazer. Simplesmente não podia me levantar, me arrumar e ir curtir uma balada, sabendo que terminaria na cama com algum desconhecido.
Meus afazeres se foram e só me restou a minha própria companhia. Foi nisso que descobri algo doloroso, mas necessário; eu não gosto da minha própria companhia.
_ Bom dia.- Amanda, com o seu bom humor, invade o meu quarto com um sorriso.- Já acordada?
Concordei com a cabeça.
Hoje acordei decidida, vou voltar a andar. Se não posso morrer, então irei viver.
_ Me ajuda a levantar?- Cruzo meus dedos em cima do meu colo, encantando eles sem a menor coragem de olhar nos olhos de Amanda.
De primeira me preparo para uma recusa ou um fora, mas ele não vem. Normalmente quem me tira da cama é Christian.
_ Claro.- Responde de imediato.
Puxo a coberta, tirando do meu colo. Apoia as mãos no colchão, ergo o meu corpo e levo o quadril para o lado. Fico na ponta da cama. Amanda para na minha frente, se abaixa um pouco e eu abraço a sua nuca e sentir o cheiro forte de seu perfume é quase impossível.
Um cheiro forte, mas doce ao mesmo tempo. Não exageradamente, um meio termo entre o doce e o amadeirado. Nunca tinha sentido o cheiro antes, mas é muito gostoso. Marcante.