LUISA RIVEIRA
Respiro fundo, repousando o saco de confeiteiro ao lado da bacia com glacê, o posicionando de forma que não suje o meu balcão. Sou um pouco chata com isso, evito ao máximo deixar meu balcão sujo ou desorganizado.
Apoio as palmas da mão no mármore, inclinando o meu corpo um pouco para baixo. Observo o bolo de casamento de três andares, soltando um suspiro pesado ao perceber que falta muito para terminar a sua decoração e o que eu fiz não está tão bom assim.
Gosto de decorar os bolos, principalmente quando é para uma ocasião tão especial quanto celebrar o sentimento mais belo que existe; o amor. Mesmo tendo uma equipe muito competente para realizar tal tarefa, gosto de dispensá-los e cuidar disso pessoalmente. Obviamente uma ajuda sempre vai bem.
Amo a minha confeitaria, mais ainda colocar a mão na massa. Deixo a parte chata dos papéis para outras pessoas, profissionais que contratei para isso. Gosto de estar na cozinha, onde a mágica verdadeiramente acontece e me sinto verdadeiramente útil.
Ainda tenho a minha sala, ela é muito útil quando os meus maridos decidem me fazer uma visita e o desejo não nos permite chegar em casa. Ela também é necessária quando surgem assuntos que apenas eu, como dona, posso resolver.
Graças a Deus minha confeitaria está crescendo, em breve iremos inaugurar em um local novo. Acredito que terei que participar mais da parte burocrática, mas sem nunca deixar a cozinha de lado.
Entretanto, por mais que eu ame fazer isso, hoje o dia está diferente. Não consigo me concentrar no que estou fazendo, por isso meu trabalho não está impecável como sempre. A concentração me foge, um aperto no peito me domina ao mesmo tempo que o ar se faz escasso.
Um pressentimento ruim que me traz um frio na espinha.
_ Senhora.- A minha ajudante para ao meu lado.
_ Sim?- Levanto o meu rosto, observando-a.
_ A senhora está bem?
_ Por que a pergunta?
_ Sua mão nunca tremeu tanto ao segurar uma espátula, nem na hora de fazer uma decoração.- Fala tudo com muita cautela, com a preocupação nítida em sua fala.
_ Tem razão.- Me dou por vencida.
Volto a ficar ereta, tirando o meu avental e entregando em sua mão. Preciso ser sincera comigo e parar. Até sou capaz de terminar o bolo, mas não ficará tão belo e os noivos não merecem pagar o preço pelo meu dia péssimo.
_ Terminem tudo.- Dou a ordem e ela concorda.
A minha ajudante rapidamente chama mais duas pessoas para a ajudar. Elas começam a tirar a decoração que fiz, dispostas a recomeçarem do zero.
Respiro fundo, realmente não estou bem hoje.
Pego o meu celular do bolso da calça jeans, enviando uma mensagem para cada marido meu, certificando-me de que todos estão bem. Ao possuir essa certeza, entro em contato com as babás das crianças, procurando saber se aconteceu alguma coisa fora da rotina.
Ao descobrir que todos estão bem, consigo respirar um pouco mais aliviada. Ainda assim, o aperto no meu peito não se vai e nem se diminui. Parece um presságio de que algo ruim está para acontecer, só não consigo imaginar o que.
Passo na minha sala rapidinho e pego as minhas coisas, caminhando para o estacionamento. Não adianta eu ficar aqui, não consigo me concentrar em nada e provavelmente estou mais atrapalhando do que ajudando. Por isso irei para casa, abraçar os meus filhos bem apertados e encher a minha mente com imagens dos lindos sorrisos deles.
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Nossa Advogada
RomanceLunna é uma mulher bem resolvida em todos os aspectos, principalmente sexual. Embora seja extremamente livre, se vê presa pelos fantasmas do passado. Sua mãe morreu quando ainda era criança, o pai não chegou a conhecer. Foi criada pela tia que a tr...
