— Inacreditável! — Sn diz ao sair do quarto, batendo a porta.
O olhar dela me atravessa, quase como uma faca, e sinto que a culpa pela tempestade emocional é inteiramente minha.
— O que foi, mamãe? — Jun pergunta curioso.
— Não é nada, meu amor. — ela sorri para ele, mas o sorriso se fecha rapidinho quando seu olhar encontra o meu.
— Pelo jeito você está encrencado. — Jungkook solta baixinho, e posso notar que ele está achando graça.
— Ela parece um pouco brava, não acha? — peço opinião apenas pra confirmar que não estou delirando.
— Um pouco? Está parecendo que ela vai vir aqui arrancar sua cabeça.
— Ai não! Minha linda cabeça vai ser arrancada e ela vai me deixar como parte da decoração.
Ele riu.
— Não é para tanto! O que você fez? Ela não gostou da mudança?
— Não é isso, ela gostou muito.
— Então você falou alguma coisa que não devia.
— Como sabe que eu falei?
— Tenho experiências. Você é um pouco devagar, né?! Parece que nunca namorou antes.
— Mas nunca namorei!
— O QUÊ? — ele arregala os olhos e fala alto demais. — A Sn é sua primeira... — ele olha ao redor e regula o volume da sua voz.
— Minha primeira namorada? Sim, ninguém nunca despertou em mim o que sinto por ela. — ele continua chocado, e tenho certeza de que está pensando em outra coisa. — Não me olha assim! Eu disse que ela é a primeira que eu pedi em namoro, e não que eu nunca fiquei com outra mulher pra outras coisas.
— Ah, agora eu entendi! — ele suspira aliviado.
— É a primeira, e última!
— Por que? Está sentindo que ela vai te deixar? — ele ri e eu ameaço a jogar uma panela na cabeça dele.
— Retira o que disse!
— Calma aí, só estou brincando.
Ouço um pigarro desajeitado me chamar a atenção.
— Papai, precisamos conversar! — Jun diz em um tom sério, agindo como se fosse um adulto.
— Vish, até seu filho não está de bom humor com você hoje, boa sorte! — Jungkook ri e nos deixa sozinhos.
Eu me inclino, chegando na altura dele, e ele agarra minha mão, me puxando para o quintal dos fundos, onde só está nós dois.
— O que é tão urgente que me trouxe aqui fora? — pergunto, e ele aponta para o gramado. — Hã? É pra eu sentar aqui?
Ele dá um sinal de sim, e eu sigo a ordem.
— Você me deve uma! — ele diz, de braços cruzados, e mesmo achando isso uma fofura extrema, eu contenho o riso!
— Como assim? — pergunto também cruzando os braços.
— Repensa aí. — ele responde, todo confiante.
— "Repensa aí"? Onde aprendeu a falar assim?
— Aprendi! Não sou mais um bebê, já sou uma quiança. — ele fala de forma engraçada e eu evito corrigir sua fala errada.
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UMA NOITE
FanfictionApós uma dolorosa traição dentro de sua própria família, a vida de Sn é marcada por desafios. Entre os segredos guardados e um encontro inesperado, Sn descobre que o amor e o destino têm formas misteriosas de se entrelaçar, forçando-a a confrontar o...
