Capítulo 37: JIN

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— Inacreditável! — Sn diz ao sair do quarto, batendo a porta.

O olhar dela me atravessa, quase como uma faca, e sinto que a culpa pela tempestade emocional é inteiramente minha.

— O que foi, mamãe? — Jun pergunta curioso.

— Não é nada, meu amor. — ela sorri para ele, mas o sorriso se fecha rapidinho quando seu olhar encontra o meu.

— Pelo jeito você está encrencado. — Jungkook solta baixinho, e posso notar que ele está achando graça.

— Ela parece um pouco brava, não acha? — peço opinião apenas pra confirmar que não estou delirando.

— Um pouco? Está parecendo que ela vai vir aqui arrancar sua cabeça.

— Ai não! Minha linda cabeça vai ser arrancada e ela vai me deixar como parte da decoração.

Ele riu.

— Não é para tanto! O que você fez? Ela não gostou da mudança?

— Não é isso, ela gostou muito.

— Então você falou alguma coisa que não devia.

— Como sabe que eu falei?

— Tenho experiências. Você é um pouco devagar, né?! Parece que nunca namorou antes.

— Mas nunca namorei!

— O QUÊ? — ele arregala os olhos e fala alto demais. — A Sn é sua primeira... — ele olha ao redor e regula o volume da sua voz.

— Minha primeira namorada? Sim, ninguém nunca despertou em mim o que sinto por ela. — ele continua chocado, e tenho certeza de que está pensando em outra coisa. — Não me olha assim! Eu disse que ela é a primeira que eu pedi em namoro, e não que eu nunca fiquei com outra mulher pra outras coisas.

— Ah, agora eu entendi! — ele suspira aliviado.

— É a primeira, e última!

— Por que? Está sentindo que ela vai te deixar? — ele ri e eu ameaço a jogar uma panela na cabeça dele. 

— Retira o que disse! 

— Calma aí, só estou brincando.

Ouço um pigarro desajeitado me chamar a atenção.

— Papai, precisamos conversar! — Jun diz em um tom sério, agindo como se fosse um adulto.

— Vish, até seu filho não está de bom humor com você hoje, boa sorte! — Jungkook ri e nos deixa sozinhos.

Eu me inclino, chegando na altura dele, e ele agarra minha mão, me puxando para o quintal dos fundos, onde só está nós dois.

— O que é tão urgente que me trouxe aqui fora? — pergunto, e ele aponta para o gramado. — Hã? É pra eu sentar aqui?

Ele dá um sinal de sim, e eu sigo a ordem.

— Você me deve uma! — ele diz, de braços cruzados, e mesmo achando isso uma fofura extrema, eu contenho o riso!

— Como assim? — pergunto também cruzando os braços.

— Repensa aí. — ele responde, todo confiante.

— "Repensa aí"? Onde aprendeu a falar assim?

— Aprendi! Não sou mais um bebê, já sou uma quiança. — ele fala de forma engraçada e eu evito corrigir sua fala errada.

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