Love, I have wounds
Only you can mend
You can mend
I guess that's love
I can't pretend
A tela em branco parecia dar risadinhas de escárnio para XiChen enquanto ele a encarava. Há dias, XiChen se sentava ali, tintas perfeitamente dispostas, pincel na mão e, ainda assim, nada saía. Era frustrante. Desde que ele era uma criança, pintar era algo que amava fazer. Desde àquela época, o ômega poderia ficar horas e horas imerso em uma pintura sem pensar em mais nada. XiChen ansiava por isso, ansiava por poder ficar horas imerso em algo, sem pensar em nada, exceto pelo que estava fazendo e, mais do que isso, ele ansiava por fazer algo que ele fazia antes de tudo, se reencontrar com uma parte dele que não tinha sido destruída.
No entanto, não importava o quanto quisesse, nada saía de suas mãos. A tela continuava em branco, olhando para ele, o desafiando em sua incapacidade. Com um suspiro, finalmente desistiu e largou o pincel sentindo a frustração dominar o seu peito. O que havia de errado com ele? Ele havia ficado tão empolgado quando ganhara o estúdio de pintura! Por que não conseguia simplesmente pintar?
Ao olhar em volta, carinho achou lugar em seu coração para se empurrar ao lado da frustração. MingJue havia feito aquilo para ele para que ele se sentisse em casa. XiChen não conseguia olhar em volta e não sentir o coração derramando carinho. O alfa nunca foi dado às artes, diferente do irmão caçula — que teve o incentivo de XiChen desde que se conheceram —, mas ainda tinha mandado fazer um lugar daqueles para o ômega.
Ah, aquele grande homem bobo. XiChen não o mereceria nem em mil vidas.
— XiChen?
A voz do alfa chamou sua atenção e ele piscou surpreso antes de se virar de onde estava sentado apenas para ver seu marido passando pela porta com Lan JingYi perfeitamente apinhado nos ombros fortes. O coração de XiChen disparou dentro do peito com o quanto mexia com ele e o com o quanto amava ver ambos juntos. Desde que JingYi havia sido enviado para Qinghe, ele e Nie MingJue tinham se dado bem e, a cada dia, estavam mais próximos.
— Baba! — JingYi exclamou se movimentando de forma a deixar MingJue saber que ele queria descer.
O alfa o segurou com cuidado, colocando a criança no chão e, enquanto JingYi corria com suas perninhas curtas na direção do pai, MingJue explicou:
— Estávamos procurando por você, aí imaginamos que estivesse aqui.
— U ti baba está azenu?
XiChen já conhecia os olhos brilhantes de Lan JingYi, obcecada por tinta e quadros desde que o estúdio ganhou vida. O ômega, é claro, incentivou imediatamente o amor do filho pela arte, regando para que florescesse.
— Eu estava organizando as coisas para amanhã. — Ele disse, não exatamente mentindo porque era o que ele estava fazendo antes de se sentar para tentar pintar.
— As crianças já vão vir amanhã? — MingJue perguntou enquanto Lan JingYi escalava XiChen até chegar em seu colo, tentando alcançar o pincel que estava em suas mãos.
— Já! Eu e Huaisang iríamos fazer daqui há alguns dias, mas elas pareceram tão empolgadas que resolvemos começar mais cedo. Como resistir a aquelas carinhas...
XiChen havia tido a ideia em um dia em que estava com JingYi e A-Quon. Ele não conseguia pintar por si mesmo, mas havia encontrado diversão pintando ou desenhando o que as duas crianças queriam que ele pintasse. A-Yi e A-Quon pediram desenhos e então tentaram reproduzi-los, com o ômega mostrando como fazer certos movimentos. Eles pareceram se divertir muito e gostar de aprender, o que o fez pensar que poderia ser uma boa ideia oferecer aulas de pintura para as crianças que quisessem e se interessassem.
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traitor
RomanceA maior traição da Campanha Queda do Sol foi, sem dúvidas, quando Zewu-jun vendeu a informação sobre a batalha resultando na morte de centenas de soldados, Nies, em sua maioria, em troca do retorno de Gusu às suas mãos. Mesmo assim, a Campanha obtev...
