Os olhos dele agora estavam carregados de uma certa raiva, juntamente somada com a certeza de que ela não estava errada em suas palavras.Era imensurável o tamanho do ódio que sentia por ela ter razão naquela frase. Não foi capaz de protegê-la.
E era o que mais lhe doía por dentro.
— Você não faz ideia do quanto eu me culpo por essa merda, Giovanna. Por isso eu não senti um pingo de remorso na hora que acabei com a vida do infeliz.
— Alexandre eu não quis dizer desse jeito, eu..
— Não, você falou certo. – ele saiu da cama nu e andou até a suíte. — Eu não posso me iludir com isso de filhos, finais felizes e nem nada parecido com isso. Bandido não tem final feliz, não é?
Ela sentia que seu coração diminuía a cada frase que saía da boca dele, por mais difícil que fosse admitir no mais íntimo sabia que aquele lado da história jamais ia ter um felizes para sempre.
— E por que você não larga esse personagem de bandido pra ficar comigo e construir tudo isso que você falou?
A loira se cobriu com o roupão e foi de encontro a ele que molhava a cabeça debaixo da água quente da ducha.
Assistiu os olhos dele em sua direção através do vidro.
— Você vai ficar surpresa se eu te contar que nunca foi um personagem? Eu sou isso aqui desde sempre. – ele bateu no peito molhado. — Quem está vivendo a vida de um personagem deve ser você. Eu sou dono desse morro sou responsável por tudo que acontece aqui, sendo coisa ruim ou coisa boa. Sem isso aqui eu não sou ninguém.
— E sem mim? – ela rebateu com os olhos marejados, mas se recusava a chorar por aquele homem.
— Giovanna não vamos por aí... Você vai se arrepender.
— Fala, porra. Você não é o todo poderoso? Me diz aqui olhando na minha cara que prefere esse morro do que a mim. – ela tinha os braços cruzados, estava no limite da porta do box onde ele se banhava.
Alexandre riu amargurado e esfregou a barba antes de voltar a olhar nos olhos da mulher por quem ele estava fodidamente apaixonado.
— Tá mesmo me jogando esse ultimato, Giovanna?
— Eu ainda não escutei a resposta, Alexandre.
Ele desligou a água e puxou a toalha branca passando pelo rosto agoniado com o rumo da discussão. Não fez questão de se secar, apenas enrolou o tecido em volta da cintura e se aproximou dela.
— Ga, vamos conversar direito.
Ela soltou uma risada magoada, negou com a cabeça enquanto se afastava.
— O fato de você não responder já é a resposta.
Tentou sair dali, mas a mão grande do homem puxou sua cintura colando seus corpos. Odiava o fato dele ter o poder de ficar ainda mais bonito quando brigavam.
— Não fala o que você não sabe. Eu sou doido por você e nunca escondi isso. Ninguém conseguiu me fazer sentir tudo que você me faz, nenhuma outra mulher recebeu a metade do que eu te dei Giovanna. Só te peço por favor não tenta me mudar, não tenta me moldar pra ser algo que não sou e nem nunca vou ser, ok? Não esquece que você se apaixonou por mim assim, sendo bandido.
— Eu não quero ter que te ver no cemitério ou na cadeia.
— Eu não vou morrer e nem vou ser preso.
— Como tem tanta certeza disso? Para de achar que você é o inabalável, Alexandre. Coloca a sua cabeça no lugar e procura entender que eu só quero o melhor pra você, pra nós dois e quem sabe um dia nós três.
Ele não foi capaz de evitar controlar o sentimento que se acendeu em seu corpo ao imaginar um neném enrolado como um pacotinho em seus braços.
— Eu posso ser o pai dos filhos e ser quem eu sou ao mesmo tempo. Basta você me aceitar como eu sou.
— Eu não vou colocar uma criança no mundo para correr o risco de crescer sem o seu amor. Você tem escolhas e mesmo assim está escolhendo errado.
— Eu escolho você e o morro. Posso ser um marido, um pai e um criminoso também. Eu acabo com qualquer um que pensar em te fazer mal, mesmo que um dia você não me queira mais eu nunca vou permitir que te façam mal.
Ela tinha feito sua escolha, tinha escolhido ele ao invés da sua vingança. Tinha decidido viver seu amor ao invés de buscar por justiça, por respostas, por coisas que nem se importava mais. A pergunta que ficava agora era será que fiz a escolha certa?
Abrir mão de uma vida sendo a policial que era, abrir mão da confiança dos seus parceiros, das noites em que não dormia pensando em encontrar com Alexandre para fazê-lo se arrepender... Era tanta coisa para abrir mão.
E quanto a ele? Não abriria mão de nada?
— Isso não é suficiente pra mim. Eu sei que não to sendo cautelosa com essa situação, mas a verdade é que eu não vou ficar com você assim. Te dou até a virada de ano pra se decidir se quer ser o meu marido, pai dos meus filhos ou dono desse morro. As duas coisas são impossíveis.
— E se eu não sair do morro?
— Quem sai sou eu. Mas pode ter certeza que você nunca mais me encontra, Alexandre. Nunca mais.
Ela empurrou o peitoral dele para se afastar, mas não foi capaz de resistir quando o criminoso beijou sua boca.
O gosto daquele beijo seria impossível de esquecer, e se ele realmente escolhesse ficar no morro ela teria sérios problemas para esquecer o dono daquele beijo.
— Nunca mais fala isso pra mim. Eu nunca vou te deixar ir, escutou? Você é minha. – ele a pegou pela nuca com força, desceu a boca pelo pescoço feminino deixando as marcas que sua boca fazia.
— Experimenta pra você ver se eu não desapareço da sua vida, seu desgraçado. – ela queria não ter gemido, mas a sua voz não teve a mesma intenção.
Alexandre a levou até o vidro do box mantendo a mulher presa com o pescoço imobilizado, desceu a boca por toda pele macia e cheirosa abrindo o roupão com a mão livre.
— Eu vou te fazer lembrar os motivos que te fizeram se apaixonar pelo bandido aqui. – ele alcançou os seios dela massageando um enquanto lambia o outro.
Sentia as mãos dela arrancando a toalha de sua cintura com pressa, levantou uma de suas coxas até conseguir escorregar para dentro dela em uma estocada só.
Gemeram juntos.
Giovanna gemia cada vez mais alto, cada vez mais forte.
Ele estocou fundo e xingou ao sentir como ela apertava forte, fazia seu pau latejar lá dentro. Beijou a boca dela com agressividade e tesão do jeito que ela gostava, deu um sorriso ao vê-la revirando os olhos de tanto prazer.
— Só o bandido aqui te fode gostoso assim, meu amor. Só o teu macho te satisfaz. Só eu sei te fazer ficar toda molhada, toda inchada de tanto me dar. – ele a pegou pelo rosto. — Diz que me ama.
— Eu te odeio. – ela praguejou ao mesmo tempo que sentia o orgasmo na beira.
— Me apertando assim? Delícia. Me odeia mais então.
O choque dos corpos contra o vidro era perigoso, mas tudo que continha perigo parecia excita-lós ainda mais.
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