leão na jaula

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Em milésimos de segundos a sua mente é capaz de produzir uma quantidade ainda maior de pensamentos.

Todos os seus foram buscando alguma maneira de protegê-la, de não deixar que ninguém tivesse chance de alcançá-la ou o inferno subiria para a terra neste dia.

Escutou o som dos disparos que seus homens fizeram para retribuir os da polícia, seu coração disparava com receio de que Giovanna pudesse bancar a delegada toda fodona que sabia que ela era. Não queria heroísmo, não queria ela na linha de frente.

— Vocês dois vão escutar com bastante atenção o que eu vou dizer agora e vão fazer exatamente o que eu quero. Posso contar com isso? – encarou os amigos, os olhos de quem ordenaria a coisa mais difícil do mundo.

— O que você mandar é ordem irmão. – Otaviano enfiou mais balas na pistola.

— Tamo contigo até o fim, porra. Ninguém vai derrubar seu comando. Tem que matar todos nós primeiro.

Wagner tinha os olhos arregalados, suava e as veias todas alteradas mostravam que a adrenalina corria com força em seu corpo.

— O negócio vai ser o seguinte.

Antes mesmo de escutar o segundo disparo da arma que ela sabia qual era, a delegava já estava alerta.

Saiu da cama direto para o closet, se enfiou numa calça jeans apertada e uma regata branca prendendo os seus cabelos em um rabo de cavalo. Calçou os tênis indo na direção do cofre escondido onde Alexandre guarda suas armas para o caso de momentos como esses.

Agradecia muito por Ana não estar em casa e sim com o ficante em uma viagem para o nordeste. Se despediram na noite anterior sem que a loira contasse nada sobre a situação que acontecia, não queria estragar a viagem da cunhada, mas assim que estivesse num lugar seguro com Alexandre mandaria buscá-la também.

Eles tinham tudo planejado. Era o lado bom de ser uma mulher que a qualquer momento poderia precisar sumir por conta das suas operações perigosas, e ele por ser um criminoso mundialmente caçado todos esses anos.

Uma bela dupla, não acham?

Quando ela desceu as escadas da mansão na ponta dos pés, o barulho dos tiros ficou mais alto. Escutou as vozes alteradas e os xingamentos proferidos pelos bandidos do morro, se preparou para sair pela porta para enfrentar o que quer que seja quando uma mão grande tampou sua boca puxando sua cintura para trás.

— Fica quieta. Se abrir a boca eu atiro em você. Traidora de merda. – a voz enraivecida rosnou em seu ouvido.

Giovanna respirava com dificuldade, sentiu sua arma sendo chutada pro outro lado da sala escura.

— Eu sempre desconfiei dessa sua cara de malandra. Tu ta fodida delegada. Seu batalhão quer a sua cabeça e nós do morro queremos o mesmo, basta saber quem vai ficar com o prêmio. – ela reconheceu a voz antes de se virar.

Um malandro de dezoito anos que tinha entrado a pouco tempo pro crime, mas já se sentia o fodão. Alexandre dizia que era bom que começasse assim com sangue no olho, mas ela enxergava a ganância no olhar do bandido.

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