Capítulo 25

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- É necessário que vocês se casem o quanto antes. Quando ela acordar vai ficar um tempo como a Anna de verdade, mas depois será dominda pelo sentimento de Catarina. - Vovó falava enquanto Jorge e Anabella ouviam atentamente.

- A senhora não acha que está equivocada?

- Conheço Catarina, menina Anabella. Assim como conheço minha neta e você. Ela não vai desistir. Meu feitiço sobre Anna será temporário. É o máximo que posso fazer. - Minha avó falava com tanta determinação. Não sabia sobre o que elas estavam a discutir. Resolvi me levantar.

- Vovó? Você apareceu de novo? Não acredito! - Eu estava tão feliz que quase a abracei, mas lembrei que ela não podia ser tocada, era só um espectro.

- Querida, você precisa completar essa união entre você e o garoto. Você tem 13 horas para fazer isso. Depois nada posso fazer.

Vovó começou a sumir com o vento. Comecei a querer chorar. Jorge veio até mim.

- Eu sinto muito.

- Quando minha avó era viva, cuidava mais de mim do que minha mãe. Ela sim era minha mãe de verdade.

- Não fale assim. Nós vamos salvar sua mãe e ela vai reconhecer você.

- Ja chega de sentimentalismo. Não gosto muito disso. - falei limpando as lágrimas do meu rosto.

Jorge começou a rir e colocou uma tiara de diamantes delicados em minha cabeça. Acho que deixei cair quando comecei a sair do salão.

- O que aconteceu depois que eu pedi para você se afastar?

- É uma história um pouquinho longa. Depois nós conversamos a respeito.

Enquanto caminhávamos de volta para o local onde a cerimônia estava sendo realizada, senti uma fraqueza e meus joelhos cederam. Jorge me segurou antes que eu caísse.

- Eu estou bem. Pode me soltar.

Chegamos ao salão e os olhos de todas as bonecas se voltavam para nós. Anabella entrou em uma das fileiras de bancos enquanto nós nos dirigíamos ao altar. A boneca que relizava a cerimônia finalmente chegou na minha parte preferida.

- Eu os declaro casados. Pode beijar a noiva.

Com todo entusiasmo Jorge me beijou, e claro, eu retribuí. Nesse instante todo meu pensamento sobre estar cedo demais para eu ter um marido se esvaiu em puro amor.

Quando nos separamos do beijo, os bancos sumiram e outras bonecas começaram a tocar músicas muito animadas com seus instrumentos. Então começamos a dançar como se nada houvesse acontecido ou como se nada fosse acontecer depois daquilo.

Olhei ao redor e vi todos muito felizes. Então parei de dançar. Jorge percebeu e parou também.

- O que foi? É tão estranho assim dançar com bonecas? - Perguntou Jorge.

- Nada mais é estranho para mim. Se fosse minha boneca, no meu quarto se mexendo em outra época, eu ficaria morrendo de medo e sairia correndo. Mas aqui tudo parece tão normal.

- Você está estranha. Quer que eu pegue algo para você beber?

- Não. Eu só quero respirar um pouco.

- Casserina disse que você pode sair da casa, só não pode se afastar muito dela.

- Então acho que vou fazer isso mesmo.- Comecei a sair, implorando para que Jorge pedisse para me acompanhar.

- Espere! - Gritou ele- Posso ir com você? - As vezes parece que ele ler meus pensamentos.

- Claro que pode. Você é meu marido agora. - ele começou a rir e eu me senti mais apaixonada que o normal.

Saímos do mundo que era aquela casa. Fora, longe do barulho, só nós dois. Me distanciei dele e me deitei em uma rocha bem grande que tinha a minha frente.

- Agora você pode me dizer o que aconteceu depois que eu joguei o buquet no chão e mandei você se afastar? Queria lhe pedir desculpas pelo que eu fiz.

- Eu prefiro não dizer nada, vai estragar o momento.

- Estão todos se divertindo como se tivesse tudo um poço de normalidade. E não é isso que está acontecendo. - Falei olhando para o céu estrelado.

- Você também deveria tentar esquecer os problemas por algumas horas. Vai se sentir bem melhor. - Jorge veio se aproximando da rocha onde eu estava deitada, se ajoelhou e foi aproximando seu rosto do meu, acariciando meus cabelos e passando seus dedos para o meu pescoço. Então começamos a falar baixo, em um tom de voz muito suave.

- Sabe que eu acho que isso não está certo. - cochichei.

- Não adianta mais. Já estamos casados e é melhor não brincar com isso. Afinal, quem selou a união foi uma boneca. Ela pode puxar seu pé a noite. - Comecei a rir e ele me beijou. Me afastei.

- Desculpe! Eu achei que...

- Deixa de ser bobo. Ninguém se desculpa por beijar alguém. E acho que você deveria fazer isso mais vezes, ou eu vou ter que começar a tomar a iniciativa. - Ele deu um sorriso tão lindo que dessa vez foi eu que o beijei primeiro.

O beijo estava tão intenso, tão cheio de paixão que eu não conseguia me afastar, e pelo visto ele também não. Ele começou a acariciar meu braço e eu coloquei a mão dele em minha cintura. Sem separarmos nossas bocas por nenhum momento ele começou a desabotoar dois botões da parte de trás do meu vestido e passou a beijar meu pescoço. Me arrepiei. Eu sei que temos que parar, mas é impossível.

- Desculpe atrapalhar, mas... - Pegamos um susto tão grande quando vimos Anabella, que nossa reação não foi outra além de vergonha. - os outros estão sentindo falta de vocês lá dentro. E Jorge, sabe que falta pouco tempo não é?

- Pouco tempo para quê? - Me intrometi- Tem alguma coisa a ver com o que minha avó disse mais cedo.

- Eu sinto muito, Anna. Você precisa vir conosco.

- O quê?

Princesa de GodavaOnde histórias criam vida. Descubra agora