Não sei exatamente que horas são. Se bem que aqui em Godava, o tempo é muito diferente. Lembro quando passei dois anos naquele quartinho, foi horrível. Talvez, se Anna não tivesse sido jogada lá também, eu nunca iria sair daquele lugar. O pior é que eu nem iria tentar, porque não acreditaria em mim. Mas agora a situação mudou. Sou eu quem tem que salvá-la.
- Jorge? - Ouço a voz de Anabella.
- Não via a hora de você acordar. - Respondi.
- Por quê?
- Você conhece aquele castelo tão bem quanto Catarina, certo? -Perguntei. - Conhece alguma entrada que Catarina desconheça?
- Impossível. Minha mãe conhece até as entradas das casas dos ratos. É melhor você pensar em outro... - Ela parou de falar e começou a se concentrar. - Talvez a...
- Porta da frente. - falei.
- Claro. Eu devia ter pensado nisso antes. Minha mãe não vai deixar a porta da frente sem seguranças, mas...
- Mas vai deixar um número menor deles por lá, porque vai pensar que não seríamos tão burros a ponto de ir pela frente. - Interrompi Anabella.
- Claro!
- Então vamos logo. - disse, já impaciente.
- Não é assim que funciona. Estamos a um passo. Falta os seguintes, que não são poucos.
- Você consegue fazer uma réplica nossa com essa Varinha aí?
- Sim. Mas não será necessário. E também não posso ficar usando tanto ela. Ultimamente ela tem me exigido muita energia.
- Será que a varinha da avó de Anna também exige muita energia dela?
- Não. É sempre simples usar. O problema é que minha mãe usou magia contra mim. Ela constantemente suga minhas energias. Fico sempre mais cansada do que deveria e fica difícil usar minha varinha.
- Por que sua mãe suga suas energias?
- Bom. Isso eu não sei exatamente. Ela rouba minha juventude muitas vezes, mas sempre acho alguém para me abastecer. Geralmente ela consegue me deixar com a aparência de uma senhora de sessenta anos de idade.- Ela deu um sorriso meio sem graça e baixou a cabeça, segurando lágrimas teimosas.
- Eu posso ajudar?- Henrique estava entrando na sala. - Posso distraí-los enquanto vocês tentam passar sem serem vistos. Os guardas de lá desconhecem meu rosto, ja que nunca arrumei confusão por lá.
- Eu sei que você não ouviu só essa parte da conversa. - Disse Anabella.
- Eu sinto muito. Você pode simplesmente fingir que eu não ouvi nada e depois conversamos a respeito?
- Tudo bem.
- Agora podemos ir? - Perguntei com o tom mais delicado de voz que consegui.
- Bom, parados aqui não vamos conseguir nada.
- Então vamos logo. - respondeu Anabella.
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Caminhando pela floresta, com uma neblina que impossibilitava uma visão perfeita. Eu estava tão ansioso para voltar a ver Anna, que não sabia mais como controlar essa sensação. Me consome por dentro. Parece que ela está por perto, mesmo sabendo que não está.
No outro mundo, tenho uma namorada. Ela não é bonita e rica como Anna, mas com certeza é mais inteligente. Antes de nos tornar-mos namorados, o desafio dela era me juntar com a garota mais popular da escola. Claro, não funcionou. Me lembro que cada vez que eu chegava perto de Anna, ela se sentia muito incomodada. Eu demorei para perceber, mas perguntei a ela assim que notei. Então, ela simplesmente me beijou e saiu chorando. Daí comecei a analisar a situação e decidi que ela seria a melhor opção para mim.
Quanto ao beijo que dei em Anna, provavelmente ela pensou que era o primeiro. Nunca antes eu poderia imaginar que um dia iria beijá-la, por isso fiquei tão nervoso que nem sabia o que fazer. Quando voltarmos ao outro mundo, não sei o que vou fazer. Basicamente só tenho duas opções, e nas duas, uma das meninas irá sair magoada.
Entretanto, tenho outros problemas para resolver aqui. Quando chegar a hora certa, verei o que vou fazer em relação à isso.
Era impossível ficar ao lado de Anabella e Henrique e não perceber a meladeira dos dois. Fiquei até um pouco com inveja, mas ao mesmo tempo feliz por eles. Não rola nada entre os dois, porém é perceptível como ele está se esforçando para que algo aconteça. Anabella não é boba, provavelmente ja deve ter percebido. Por isso enrubesce o tempo todo, a cada "cantada" que ele joga em cima dela. Claro, uma cantada diferente. Não exatamente uma cantada, mas elogios soltos, ou uma tentativa de segurar sua mão. Até que é fofinho.
Finalmente chegamos ao castelo. E é óbvio que Catarina não ia deixar tudo fácil. Não ia nos receber de braços abertos e com toda aquela hospitalidade. Mas para nossa sorte, ja esperávamos por isso.
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Princesa de Godava
FantasiA garota mais popular da escola e o nerd desengonçado. O que parecia impossível torna-se necessário. Anna e Jorge veem-se obrigados a se aturarem em uma incrível jornada, cheia de fantasias e aventuras, ciúmes e brigas. Em um Reino encantado complet...
