Capítulo 4

2.7K 162 1
                                        

        Como não tínhamos escolha, seguimos em frente.

         Andamos, andamos e andamos. Mas parecia que não saíamos do lugar. As mesmas árvores secas e quebradas, a mesma terra preta onde parecia haver grama antes e sempre a mesma paisagem. Eu queria saber o que tem de errado com esse lugar. Claro que tinha muita coisa errada, mas tinha uma leve impressão que não foi sempre assim.

     

          Minhas roupas não ajudavam na caminhada, pois estava frio, e o salto de minhas botas estavam enterrando-se na terra machucada a cada passo que eu dava, e se tirasse elas, correria o risco de ferir meus pés, porque além da terra, tinha cacos de vidro no chão.  Nem imagino do que seja, mas não me parece ser coisa boa, com certeza não é. 

    -Você ouviu isso? - perguntou Jessy me assustando,  eu estava muito distraída.

    - Não ouvi nada, deve ser coisa da sua cabeça.

    - Não! Estou falando sério,  eu ouvi alguma coisa. Parece que tem alguém nos seguindo. Foi barulho de passos, cacos de vidro amassando... não sei, mas tenho certeza de que estamos sendo seguidas.- Ela estava sussurrando.  Então pude ouvir o barulho de passos. Vinha de trás de uma moita, uma moita muito acabada por sinal.

       - O que acha que é? - perguntou Jessy.

      - Shh. Cale a boca! - sussurrei.

      - Desculpe.

      O barulho parou logo depois que saiu um rato daquele lugar. Dei um grito. Eu morria de medo e nojo de ratos. Jessy não tinha medo de nada. Quando ele saiu, veio em nossa direção. Fiquei sem reação.  Parece exagero ou coisa de patricinha. Mas nem eu entendia porque meu medo era tão grande. Fiquei tanto tempo ali parada, que não tinha percebido que alguma coisa tinha surgido do meio de um monte de brilho, brilho tão intenso que por um momento achei que não estava mais de noite. Que estava no paraíso.

     - Eles não aprendem que não devem mecher com turistas. - disse uma criatura extremamente linda e angelical. Ela tinha cabelos louros muito claros, pele clara de mais, olhos verdes esmeralda e usava um vestido rosa bebê que iam até seus pés.

      Ela estava segurando um galho feio que brilhava na ponta, não sabia o que era, mas parecia uma varinha. Era a unica coisa feia que fazia parte dela. Ela também estava usando uma coroa muito delicada de ouro com dois rubis, e pude perceber que tinha um espaço vazio. Provavelmente para ser preenchido por outro rubi.

      - O que exatamente você é? - perguntou Jessy.

      - Desculpe os maus modos. - Ela disse isso ao mesmo tempo que apontou o galho velho para o rato, que ao mesmo tempo explodiu deixando sangue por toda parte, inclusive em minhas roupas.

      -Ai meu Deus!! Que merda é essa? - Gritei descontrolada.

      - Bom. Pelo visto não sou a única com maus modos hoje por aqui.- disse a criatura angelical. Depois continuou. - Muito bem queridas. Me chamo Anabella, sou a princesa deste lindo reino...

      - LINDO? CHAMA ISSO DE LINDO? - falou Jessy interrompendo Anabella.

      - Enfim queridas. Este reino pertence a mim. E vocês são bem vindas. Vou leva-las ao meu lar. La vocês poderão vestir roupas adequadas e sapatos melhores também. Darei a vocês comida e conforto até que achem um lugar melhor para morar. Só preciso do consentimento de ambas.

       - Por que quer que acreditemos em você?  Acabamos de conhece-la. - Perguntei.

      - Porque acabei de salva-las, se não fosse por mim, as duas estariam mortas. Aquela criatura que parece um simples rato inofensivo, pode crescer até dois metros de altura, e tem a força de oitenta cavalos juntos. Se quizesse que morressem, vocês ja estariam mortas.

      - Tudo bem. Nós vamos com você.

      - Fale isso por você.  Eu é que não vou atrás de uma coisa desconhecida. - Jessy insistia em não ir.

      - Jessy, nós precisamos ir com ela. Se não vamos morrer logo depois que ela se for. Tenho certeza que aquele rato demoníaco não estava sozinho.

      - Ela está certa. Ou vem comigo ou morri aqui.

      - Ta okay. Vamos logo, acho que ja vi outro se mexendo por ali.

      - Por onde vamos?

      - Não se preucupe com isso. - Logo depois de ela ter pronunciado a ultima palavra, sumimos no ar e nos materializamos na frente de um enorme castelo, que daria para ver à kilômetros de distância, mas não sei porque não conseguimos ver de onde estávamos.

      - Bom... é aqui. Vamos entrando. Se ficarem aqui, vão congelar. Ainda mais com esses pedaços de panos que vocês devem chamar de roupas.

      

       

    

       

Princesa de GodavaOnde histórias criam vida. Descubra agora