Chegando à escola, foi a cena de sempre, chegar e ser a atração nos corredores, mas hoje não consigo sentir aquele orgulho de sempre. Penso que falta alguma coisa em mim, só não consigo saber o quê, é como se eu estivesse sentindo falta de alguém que nunca vi na vida, mas que me completa. Eu sei que é estranho, mas não tenho outras palavras para descrever.
Na sala, Jessy me perturbava para saber o que havia de errado comigo, mas não queria dizer a ela o que eu estava sentindo. Até mesmo porque nem eu sabia ao certo que sensação era aquela.
- Anna, fala o que está acontecendo. Você não confia em mim?- Ela sabe que confio.
- Jessy, não é essa a questão. Só não consigo descrever em palavras o que sinto. Acho que vou sair um pouco e pensar mais.
- Espera! São 18:35. Está terminando.- Estava prestes a me levantar quando ela falou. Não tinha percebido o tempo passar. Então decidi esperar os dez minutos restantes.
- Tudo bem. Vou esperar.
Foi os dez minutos mais longos da minha vida. A ansiedade que eu tinha pra sair daquele lugar era inexplicável.
Quando saimos, fomos direto para o refeitório. Jessy comeu todo doce que tinha direito, ja que hoje era o dia dela de sair da dieta. Eu não conseguia comer nada, só pensava em ir para casa, mas não queria ir sozinha, então pedi para Jessy para que dormisse lá hoje, e claro que ela aceitou.
Estávamos andando no corredor quando sem querer esbarrei em Jorge, um "nerd" que eu admirava muito, porém não podia falar a ninguém devido a minha reputação. Mas como disse, hoje eu não estava muito bem. Logo que vi que seus livros haviam caído no chão, imediatamente juntei-os e pedi desculpas.
- Jorge, me desculpe. Hoje tenho andado muito distraída, não sei o que está acontecendo...- Antes que eu pudesse terminar, Jessy me interrompeu.
- Tá maluca? Você não está mesmo bem hoje. Como pode falar com um nerd desengonçado como esse aí. - Jorge olhou para Jessy e depois para mim.
- Você sabe meu nome? Achei que isso fosse uma coisa impossível. Você é Anna Valentine. - Ele falava com um brilho nos olhos que não pude deixar de notar, quero continuar o diálogo, mas sei que Jessy não irá deixar.
- Jorge,- comecei, sabendo que ia ter que sair logo, pois aquela cena não tinha o menor cabimento. Eu sentia uma necessidade estranha de falar com ele, então continuei. - sei mais sobre você do que você imagina. E Jessy, pode por favor pegar meu celular no meu armário? Acho que esqueci. Quando você voltar, nós vamos embora, okay?
- Como assim sabe mais dele do que ele imagina? Qual seu problema hoje?
- Celular. Por favor.- falei, tentando fazer ela se afastar.
- Sim, claro. Mas já volto.
Meu armário ficava a mais ou menos uns quatro metros dali, então sabia que não tinha muito tempo para falar com Jorge.
- Esse é meu número, - dei a ele um papelzinho com meu número anotado. - ligue para mim amanhã. Jessy não vai permitir que você me dirija a palavra. E eu queria falar que... eu... admiro muito sua inteligência, seu esforço, sua dedicação. Mas devido as circunstâncias não posso demonstrar nada disso. Então me liga e nós podemos conversar. Tudo bem?
- Vamos nos ver antes mesmo de eu fazer essa ligação. Você nasceu para ficar e governar ao meu lado. E ninguém. Eu disse ninguém, pode mudar isso.
- Não estou entendendo. Como governar? Tem algo de errado com você? O que está acontecendo? -Sabia que ele estava falando coisa com coisa, mas por algum motivo, as palavras dele me interessavam. Como se fosse uma resposta para a sensação que eu estava sentindo, a qual estranhamente havia passado depois que o vi.
Jessy chegou, e me assustei quando ela pegou no meu braço e disse para irmos logo, porque aquela cena não tinha lógica. Mas eu queria ficar perto de Jorge.
- Calma Jessy! Você pegou meu celular?
- Não. Ele não estava lá. Acho melhor você olhar direito na sua bolsa.- Quando ela falou, olhei na minha bolsa e puxei o celular de dentro.
- Está aqui. Desculpe, eu não sabia. Achei que...
- Você não achou nada. Só queria ficar a sós com essa coisa. - disse ela, olhando para Jorge.
- Não é verdade. E pare de se referir a ele como se ele não fosse um ser humano. Que grosseria da sua parte.
- Anda.- falou ela me puxando.-Não tenho palavras para descrever como você veio se comportando hoje. Vamos logo embora.
- Tchau, Jorge. Não esqueça do que falei.
- Eu é que digo para você não esquecer o que falei. Logo minhas palavras irão fazer sentido para você.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Princesa de Godava
FantasyA garota mais popular da escola e o nerd desengonçado. O que parecia impossível torna-se necessário. Anna e Jorge veem-se obrigados a se aturarem em uma incrível jornada, cheia de fantasias e aventuras, ciúmes e brigas. Em um Reino encantado complet...
