Capítulo 19

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          Jorge continuou me puxando para longe da casa. Não conseguia enxergar nada, mas ele me guiava muito bem. Não entendia como ele estava vendo alguma coisa no escuro. Mas por algum motivo, eu sentia muita confiança nele. E por isso não lutei contra.

        - Acho que aqui ja dá. - falou ele. Aquele lugar estava um pouco mais claro que o caminho por onde viemos. 

        - O que você está planejando?  Não estou entendendo nada.

        - Sua avó veio me visitar. Ela disse uma coisa que fazia sentido,  mas não vai rolar sem seu consentimento. - Fiquei vermelha.  Se não tivesse com pouca luz no local,  ele teria notado sem fazer esforço.

         - O que ela disse? - falei, olhando para baixo.

         - Temos que nos casar o quanto antes.

   

         - Como assim temos que nos casar? Você fala assim... tão... explica isso direito. - Aumentei o tom de voz. Não estava mais envergonhada.  Estava com raiva. Não imaginava que teria que me casar assim. Sempre imaginei meses de preparo,  onde meu pai pagaria por todas as despesas,  mesmo estando à quilômetros de distância. Uma cerimônia extravagante com nais de 700 pessoas me assistindo,  com câmeras e repórteres por toda parte.

        - Sua avó me visitou para dizer isso. Falou que caso a gente se case,  não importa onde ou como, ganharíamos um poder extra. E esse poder iria se manifestar se estivéssemos passando por uma situação muito difícil, onde nossas vidas estejam em perigo absoluto.

          - Mas...

 

          - Se não gostar de mim... não tem problema. Só por certo tempo. Isso pode ser muito essencial caso Catarina chegue perto de nos matar no dia...

          - Eu gosto de você. - falei. Não sei porque, mas não conseguia mais esconder. Isso estava me corroendo por dentro. - Eu amo você. E não vai ser nenhum sacrifício, para mim, fazer essa união.

         - Vo... você... pode repetir o que disse? - Ele gaguejou e ficou com as bochechas vermelhinhas. Isso me deu mais coragem, então repeti como ele pediu.

        - Eu não sei porque, mas não consigo parar de pensar em você. Te amo de verdade, Jorge. Desculpa ter fugido, mas... não conseguia ficar mais um minuto vendo você junto com Bernarda.- A cada palavra,  eu me aproximava mais dele, até que nossos rostos ficaram a centímetros de distância.

        - Você disse que me ama?

   

        - Sim. Disse.- nossa voz era tão baixa que era quase um sussurro. - Não quero casar com você só para salvar nossas vidas...

         - Por que gosta de mim?- Ele parecia muito confuso. - Eu sou o garoto da escola que nunca ficou com uma menina. Sou o nerd que não tem amigos. Sempre sentei sozinho no refeitório com um livro como passa tempo,  porque não tinha com quem conversar. Você é a garota mais rica e popular de lá. Não faz nenhum sentido você gostar de mim.

        - Esqueça o que aconteceu do outro lado.- comecei a passar a mão em seu rosto. - Eu não o conhecia, agora me considero uma burra por nunca ter falado com você antes.  Por favor... pesso que me perdoe por isso. Sempre quiz ter na escola a atenção que não ganhava em casa. Eu tinha dinheiro e beleza, e é só disso que se precisa para ser a patricinha popular. - Suspirei, minha respiração estava muito atrapalhada. - Eu... mudei muito depois que vim parar nesse lugar. Comecei a ver a vida de uma outra maneira, fiquei mais humilde, mais sensível. E também passei a ver a beleza interna de uma pessoa, e parar de julga-la antes de conhecê-la. Por esse motivo me apaixonei por você. Não me interessa o que você é ou foi em outra encarnação. Você está do meu lado desde o início e é uma pessoa que qualquer garota iria querer ter do lado. Eu te amo muito... Jorge.

        - Ainda não faz sentido para mim, mas se você me ama mesmo como ta dizendo... - Ja ouvi muitas vezes que um gesto vale mais do que mil palavras. Ele não é muito bom com palavras nesses momentos, mas seus gestos me disseram tudo o que eu não ouvi. Ele me beijou, e estava muito nervoso. Era perceptível que aquele era seu primeiro beijo, mas não liguei. Gostava de te-lo ao meu lado. - Eu também te amo, Anna. Te amo, muito mesmo.

         Ficamos mais ou menos uns cinco minutos nos abraçando e nos beijando. Não só na boca, mas também na testa, na bochecha e assim vai.

        - Como é que se casa aqui em Godava?- perguntei. Estávamos sentados ao lado de uma árvore.

        - Acho que... não sei. Vamos perguntar a Bernarda.

       - NÃO!!! - Gritei.

       - O que foi? Qual o problema?

 

       - Ela ja nos ajudou de mais. Não quero incomoda-la mais uma vez. - dei um sorrisinho que tenho certeza que não convence ninguém.

        - Mas não temos outra saída.  Temos que fazer isso o quanto antes.  Bernarda é o único jeito.

        - Acredite em mim. Ela não deve saber deste casamento. Eu falo com Anabella, ela sabe como funciona.

       - Só não vou questionar você,  porque estou muito feliz.- Nos olhamos e sorrimos um para o outro. 

       Parece que o ditado é certo. Alegria não dura muito tempo. Apareceu outro rato gigante de três metros. Tivemos que correr e nos esconder. Depois fomos para casa.

Ja estava tudo claro, e eles ja tinham percebido, obviamente,  nosso sumiço.

        Entrou primeiro Jorge. Depois de uns dois minutos, comecei a sair de traz da árvore que me escondia, fui andando em direção à porta, mas não passei dela.

        Uma barreira transparente impediu minha passagem. Não estava conseguindo colocar nem uma ponta do pé la dentro. E só quem me olhava era Bernarda,  os outros não entendiam o porque de eu ainda não ter entrado,  até que Anabella se aproximou e tocou no local. Percebendo a situação ela olhou diretamente para a provável responsavel desse acontecimento,  quando seus olhares se encontraram, se fosse possível,  saíria  fogo dos olhos de cada uma, para se matarem ali mesmo.

  

        

         

    

Princesa de GodavaOnde histórias criam vida. Descubra agora