Chegamos em casa. Por horas fiquei pensando sobre as palavras de Jorge. Até Jessy me tirar de meu devaneio.
- Anna? Em que você está pensando?
- No Jorge. No que ele disse...
- Aah. Francamente, com tantos garotos, e você ta pensando em Jorge?- ela me interrompeu, ja foi a terceira vez hoje que ela faz isso. Ela sabe que não gosto de ser interrompida em hipótese alguma.
- Deixa eu terminar?
- Não. Não deixo. Vamos sair um pouco. Se não quizer só me empresta seu carro que eu saio sozinha.
- Eu estava ansiosa para chegar em casa. Mas mudei de ideia. Quero sair também. Vamos.
Peguei minha bolsa e sai do meu quarto com Jessy.
Por algum motivo queria logo sair dali. Quando estávamos quase perto da porta da frente, ouvimos um barulho, que vinha de baixo da escada. A princípio fiquei com medo, mas minha curiosidade foi maior.
Fui andando em direção à escada, Jessy veio logo atrás, ela não queria ficar sozinha naquela hora, estava com muito medo. O barulho estava alto de mais, estava ensurdecedor. Tapamos os nossos ouvidos porque estava insuportável o som de ranger de várias portas juntas vindo de lá.
Quando chegamos à escada, eu abri a portinha do depósito, que ficava em baixo dela, de onde estava vindo o barulho insuportável. Mas o depósito não estava lá. Nem as coisas velhas, nem as coisas novas que ninguém usava, não tinha nada. Só um quarto branco, completamente branco, das paredes aos piso e teto.
Entramos, e a porta se fechou sozinha e inesperadamente, fazendo com que nosso medo aumentasse ainda mais. E de repente aparece uma peguena luz no canto do teto, aparentemente inofensiva.
- O que está acontecendo aqui Anna? Por que os trossos velhos da sua família não estão aqui em baixo. Por que o quarto ta claro sem nenhuma lâmpada. Por que aquela luzinha ta aumentando de tamanho tão rápido.
- Cala a boca Jessy. Você acha que eu sei de alguma coisa que está acontecendo aqui?- Eu ja estava gritando.
-Desculpe. Eu sei que você não sabe. Mas eu estou com muito medo. - Jessy era claustrofóbica, então entendia como ela devia estar se sentindo naquele ambiente extremamente fechado.
- Me desculpe você Jessy. Eu não queria gritar. Só estava um pouco fora de mim. Não foi minha intenção.- falei. Abraçando-a o mais forte que eu conseguia.
E assim ficamos, abraçadas até que a luz aumentou bastante e quase nos cegou de tão forte e intensa. Não conseguíamos ver nada além do clarão. Até que ela se apagou completamente e ficou uma escuridão total. Tinha quase certeza que era escuridão mesmo, e que não estava cega. Fechei os olhos, e disse para que Jessy fizesse o mesmo. Se morressemos ali naquele momento, seria juntas e não precisávamos ver o que ia acontecer.
Percebendo que estava demorando muito para acontecer alguma coisa, abrimos os olhos e nada estava como antes. A escuridão havia sumido, assim como a intensa luz. Estávamos na entrada de um lugar, um lugar sombrio, um pouco sem iluminação. Como se fosse feito e habitado somente por sombras, incertezas, maldades, e qualquer outro malefício semelhante.
Tinha uma plaquinha velha, quebrada e esquecida, que dizia: "BEM VINDO À GODAVA".
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Princesa de Godava
FantasyA garota mais popular da escola e o nerd desengonçado. O que parecia impossível torna-se necessário. Anna e Jorge veem-se obrigados a se aturarem em uma incrível jornada, cheia de fantasias e aventuras, ciúmes e brigas. Em um Reino encantado complet...
