Capítulo 21

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Quando acordei, Anabella estava sentada, abraçando os joelhos. Bernarda estava desacordada, e Henrique ao meu lado. Jorge ainda estava desmaiado.

- Anabella! - Saí correndo para acudi-la, mesmo não sabendo o porquê de ela estar nessa situação. - Anabella, o que houve? Porque está assim?

- Minha mãe me chamou de inútil. Inútil! Entende?! - As duas últimas palavras ela gritou. - Me desculpe. Não foi minha intenção.- Ela passou a mão nas pontas do meu cabelo.

-Anabella. Sei que é difícil, mas não podemos desistir no momento. Sua mãe vai ser colocada no seu devido lugar. Você precisa ser forte.- falei tentando acalma-la. Até Henrique intervir.

- Me desculpe. Mas a dor de perder alguém desse jeito, você nunca vai entender Anna. Ainda mais quando se trata de uma mãe. Você faz o que quer na hora que quer, e sozinha, no outro mundo. Anabella sempre esteve junto com a mãe. Sempre foram unha e carne. Perde-la de uma hora para outra não é moleza. Ela está destruída e você quer dizer para ela ser forte? Desculpa, mas acho que você bateu a cabeça forte de mais.

Não sei o porquê de ele estar me tratando daquele jeito. Suas palavras faziam sentido, mas não era hora de enfraquecer com tristezas. Isso só ia deixar Catarina acima de nós, e não é o que planejamos.

- Henrique, sei exatamente como é perder alguém- menti. - Mas também sei que não devemos dar esse luxo à Catarina. É o que ela quer de Anabella. A dúvida. A fraqueza. Por favor! Precisamos agir, e parar... de pensar...- Meus olhos começaram a querer lagrimar. Por isso dei uma pausa de cinco segundos para respirar fundo. - Por favor. Anabella, case Jorge e eu o mais rápido possível. Depois disso, vamos até o castelo e nos arriscamos. Esqueça sua mãe. Esqueça que ela é sua mãe. Depois paramos e pensamos nisso. Você é capaz de fazer isso por nós? Godava está em nossas mãos. Para darmos o primeiro passo, é preciso que você se recupere.

- Eu entendo perfeitamente. Venha comigo. - ela parou de chorar, e pediu para acompanhar-mos ela.

Saímos. Cinco minutos depois, chegamos em um lugar que eu nunca pensei que pudesse existir em Godava.

Estava claro. E o sol que raramente via por aqui, estava brilhando, em uma cor laranjada. Era um lindo por-do-sol.

Seguindo um pouco mais adiante, tinha um casebre. Era feia, pequena e de madeira. Porém, quando entramos, o lugar brilhava. Era lindo. O estranho era que só tinha bonecas la dentro. Todos os tipos. Era uma casa de bonecas.

- É aqui que vamos nos casar? - perguntei.


- Sim. Ali atrás tem um salão, onde vai rolar a festa depois do casamento.- Disse Anabella.


- Mas não temos tempo para festas. É só casar e pronto.

- Nem pensar! Jamais deixaríamos você se casar dessa maneira. E essas roupas horrorosas. Que horror. - Me assustei quando vi que não era Anabella que estava falando, e sim uma linda boneca, que batia mais ou menos na minha barriga.

- Além do mais...- começou Anabella.- Vai ser seu primeiro casamento, eu acho. Vocês merecem isso e muito mais. Vamos fazer ser o casamento dos seus sonhos.

Princesa de GodavaOnde histórias criam vida. Descubra agora