Trauma

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Não consigo pensar que te perdi. Ainda sonho em te segurar no colo, te abraçar, te ninar. Você fica tão frágil em meus braços, tão branca e tão magra. Sua cabeça descansa em meu peito.

As vezes a Fabi também aparece. Ela as vezes fica do meu lado, como se cuidássemos juntos de um pequeno animal ferido. Mas ela também parece estar tão magra, tão jovem.

Normalmente tento esquecer dos sonhos. Não tem mais o que eu possa fazer. Isso já tem quatro anos, não vejo a hora de acordar em paz no meu travesseiro. Não sonho toda noite, mas é frequente, vem sempre que eu já achei que esqueci, que não penso mais. Mensalmente, calendarizado.

Parte de mim as vezes pensa que tenho algo pendente, mas eu sigo meus dias tão em paz quando lúcida. Também cogito ser algo com a maternidade, principalmente pela forma que seguro seu frágil corpo. O cenário mais racional é este, porém: trauma.

Trauma pela mão cheia de remedio, historias com lâmina, hemorragia no nariz, dias sem comer, negociar encontros por pratos de comida.

Talvez preciso culpar menos meu lado materno, e digerir mais a ideia de que não foi um relacionamento saudável. Você tentava a morte, e agora vive em meus sonhos.

Eu sinto muito por ter te deixado quando estava tão frágil e mal da cabeça. Mas você soube se virar, e eu preciso lidar com essa ferida que cuidar de você me causou.

Tenha uma vida boa, ame, beije, viva. Só não volte para meus sonhos. Quero dormir em paz, quero sonhar com meus filhos, quero sonhar com o sorriso bonito e estrelado.

Decomponha-se em outro lugar.

Manu
16/09/2025

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