Inveja mata.
Sexta-feira | Rio de Janeiro.
Arielly Almeida.
Point of view.
S
e passou uma semana deis do dia que eu e as meninas achamos o corpo morto no beco. E daí em diante, pronto. Todo dia aparece alguém morto, em lugares diferentes e em horários aleatórios. Tá andando todo mundo preocupado, tá tendo toque de recolher todos os dias 19h. Em partes, eu acho certíssimo, mas em outra, é completamente perda de tempo, já que os corpos aparecem até de manhã agora.
Renato e eu passamos praticamente a semana sem se ver, ele mal para em casa, só vejo ele assim que eu vou para o trabalho, que inclusive ele me inferniza todos os dias pra mim parar de ir, e quando ele chega na calada da madrugada deitando do meu lado e saindo meia hora depois.
Segundo a Karine, Carlão tá em cima de todos os vapores e membros da favela dele, atrás de quem tá sendo o responsável pelas mortes, e o mais estranho de tudo, é não saber quem são as vítimas. Não são moradores daqui, mas também, não é gente de fora, já que durante essa semana, ninguém pode sair ou entrar aqui.
Fechei o caixa e bati o ponto, peguei minhas coisas e decidi passar na boca pra ver se eu via algum rastro do Rw.
Hoje tinha uma festa na rocinha, era aniversário do dono de lá, pelo que eu entendi, que é bastante amigo da nova parceira da Karine.
E eu tava doidinha pra ir, mas difícil, era dar certo após tantas coisas acontecendo.
— Bom dia. — chamei atenção de um moloque que tava na boca, ele me olhou e eu fiquei sem graça, eu conhecia ele, pegava maconha com ele direto aqui antes do Carlão decidir controlar a minha vida. — Rw tá aí? — ele balançou a cabeça em negação e eu fiquei morrendo de raiva.
Agradeci e subi a rua pisando fundo e quase choramingando. Eu não saio mais, e isso me causa um estresse absurdo, porque nem aqui no morro não posso mais dar uma voltinha.
Pensei e repensei em passar na Tia Carla, mas só de imaginar que eu poderia ver a minha mãe por lá, ou na rua, me causava um desgosto profundo e um desânimo terrível.
Eu adorava a minha tia, tinha um carinho enorme por ela, ela vem me apoiando muito, insistiu para que eu fosse morar com eles, e mesmo eu negando, ela não deixa de deixar claro o quão bem vinda eu sou e que as portas da casa dela estarão abertas sempre que eu precisar.
Acabei me dando por vencida e entrei na esquina, seria ingratidão da minha parte deixar de visitar os meus familiares por conta das atrocidades absurdas que a Vanessa tinha feito comigo.
Ao chegar na casa da minha tia, fui recebida com todo o carinho de sempre por ela, a gente conversou muito na cozinha enquanto tomávamos café, quando eu já estava quase indo embora, a Eduarda e o Jacaré chegou conversando na maior alegria, e não pude deixar de notar a felicidade que a minha tia tinha ficado.
— Eai, Arielly. — Jacaré fez um toque comigo e eu sorri falando com ele.
A Eduarda mal me olhou, deu um sorriso de lado e me deu as costas subindo as escadas da casa dela.
Eu não era boba, sabia que ela era apaixonada pelo Renato, mas somente após eu me envolver com ele, porque se eu soubesse do amor que ela sentia ou sente por ele, eu jamais teria ido tão afundo no começo da relação.
— Bom, acho que já vou indo. — me levanto da mesa sentindo o clima pesado que havia ficado. Obviamente os dois sabem o que a filha deles sentia pelo meu namorado, e percebeu como eu fiquei sem graça.
— Vim correr com tu não, po. — ele riu colocando café no copo e eu dei risada.
— Fica pra jantar filha. — minha tia pediu enquanto lavava o arroz e eu olhei para o relógio da parede vendo marcar 18h.
— Não gente, tá tarde já. — ajeitei a cadeira no lugar. — a hora passa tão rápido que já já dá sete horas, toque de recolher, e se eu sair pela aquela porta, não tô afim do Carlão ir atrás de mim com as chatices dele. — fui sincera suspirando e o Jacaré riu fraco me olhando.
— Carlão não tá agindo como dono daqui não. Já mandei passar o bastão pro meu moloque ou pro Rw, mas ali é cabeça-dura, só aprende quando um dos dele começar a ir pra cova também. — encarei ele seria ao ouvir suas palavras, percebendo o quão soberbo e invejoso ele era, me fazendo até cogitar ideias erradas.
Não dei muita atenção e me despedi deles indo para a casa do Renato. Doida pra chegar lá e ele estar e dizer que iremos sair.
×××
Esse jacaré, sei não...
M.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Dentro de você.
SonstigesUh uh yeah Fui deixando acontecer Sempre me amei primeiro Não queria me envolver Uh uh yeah Acho que foi o seu jeito Foi assim que me entreguei Acordei no seu travesseiro
